
Banda não lançava um disco de originais há 18 anos
Foto: Daniel Leal/AFP
Banda histórica que se recusa a passar à História, os Rolling Stones têm um novo disco, o 24º de originais da sua vetusta carreira. “Hackney diamonds” revela-nos uma banda sem prazo de validade que escarnece das leis que regem os simples mortais.
Não estão de regresso, porque, na verdade, nunca deixaram de andar por aí. Sessenta e dois anos depois da sua formação, os Rolling Stones mantêm a curiosidade e o frenesim criativo dos primeiros tempos, mesmo que hoje sejam todos respeitáveis octogenários.
Disponível desde esta sexta-feira em todas as plataformas, “Hackney diamonds” é um reencontro da mítica banda – hoje reduzida ao trio formado por Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Woods – com as suas próprias origens no bairro londrino de Hackney, em tempos nos quais os seus membros sonhavam apenas em seguir as pisadas dos grandes ídolos de blues e rock'n'roll, muito distantes de imaginar que eles próprios se converteriam pouco depois em ícones da música popular.
Gravado em apenas um mês em diferentes partes do globo, como Los Angeles, Bahamas e Nova Iorque, o sucessor de “Blue & Lonesome” - álbum de versões de blues e rock - resgata, na sua dúzia de canções, essa energia dos primeiros anos, mas filtrada pela maior sapiência que os anos (por vezes) trazem. Para encontrarmos o anterior disco de originais é preciso recuar até 2005, ano em que editaram o pouco consensual "A bigger bang".
Rodeando-se de ilustres como Paul McCartney, Stevie Wonder ou Elton John e lustres como Lady Gaga, os Stones terão assinado um dos pontos altos da sua discografia numa idade que quase todos associam ao ocaso criativo. Quem o assegura é a crítica especializada: “o seu melhor disco desde os anos 70 (“The Independent”), “não soavam tão bem há meio século” (“Rolling Stone”).
Excesso de reverência ou não, “Hackney diamonds” é o registo de uma banda que não se limita a olhar para o passado. Mesmo que não o renegue em absoluto. Dois dos temas do disco, “Mess it up” e “Live by the sword”, ainda incluem o contributo de Charlie Watts, o baterista do grupo durante 58 anos que viria a falecer em 2021),e até Bill Wyman, baixista ao longo de três décadas, colabora num dos temas, demonstrando que o legado histórico está acima de qualquer arrufo momentâneo.

