
Simone de Oliveira
Gustavo Bom / Global Imagens
"Garanto que o que se diz neste musical é verdade. Quem ali aparece sou eu". Quem assim fala é Simone de Oliveira, de 79 anos, a protagonista de um musical inspirado na sua vida.
O espetáculo "Simone, o Musical" poderá ser visto a partir de 23 de setembro, no Teatro Tivoli, em Lisboa, e 10 e 11 de Novembro no Coliseu do Porto.
Produzido pela UAU e com texto e encenação de Tiago Torres da Silva, a peça contará com a direção musical de Renato Júnior, que assinará alguns temas inéditos. Do elenco, para além da própria Simone, fazem parte nomes como José Raposo, Maria João Abreu, Marta Andrino, FF Pedro Pernas, Rúben Madureira , entre outros.
"A peça que escrevi pretende ser muito tocante por um lado e divertida por outro. A Simone sempre foi assim", disse a propósito Tiago Torres da Silva que sublinhou ainda o facto de se tratar de algo inédito. "Não tenho conhecimento de alguma vez ter sido feito um musical biográfico com o biografado vivo. E isso dá a este espetáculo uma verdade muito grande".
O musical pretende traçar um retrato sensível mas autêntico de uma personalidade generosa e complexa , forte e corajosa mas também muito frágil como é Simone de Oliveira. Mas sem devassa do foro familiar mais íntimo. "Há um lado da minha vida que nunca expus e não vou também não expor agora. Não quero com isto dizer que não tenha jardins secretos. Mas a devassa não faz bem a ninguém. Tenho uma fragilidade que é minha e uma solidão que é minha. E tenho as minhas gargalhadas. Se eu não pusesse um sorriso nas coisas mais sérias não sei o que seria" disse a intérprete de "Desfolhada".
De resto, a sua vida profissional tem um lado muito conhecido. "Já passei por tudo, até pela notícia de que tinha morrido ou de que sofria de Alzheimer. Para quem vai fazer 80 anos, nasci em 1931 e sou realmente muito velha, imaginem o que eu já não vivi. Mas não me apetece nada morrer", sublinhou.
Simone de Oliveira está particularmente grata pelo facto de o autor do texto não se render ao politicamente correto. "Fiquei contente por poder dizer: "O meu reino por um cigarro!", porque essa, sim, sou eu. Já sei que não se deve fumar. Mas eu nasci livre. Levei toda a minha vida a lutar por ser assim. Para mim não têm sentido as amarras. Por isso, até a imagem do cartaz (uma silhueta de Simone, a fumar,) é a que melhor me define. Aquela sou eu".
A cantora admitiu que estrear este musical a deixa preocupada. "Tenho medo. Este é um espetáculo e extremamente complicado. Não sei como é que o público o vai aceitar, estando eu viva. Mas foi o público que me trouxe até aqui, Por isso, sei que é curto dizer, mas e é de todo o coração que o digo, muito obrigada".
