
Manuel Marques diz que é uma "grande responsabilidade" e que vai "preparar um Sócrates que, de preferência, cante muito bem"
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Comédia estreia a 1 de abril em Lisboa e em maio chega ao Coliseu do Porto. Manuel Marques é o protagonista de "Sr. Engenheiro - alegadamente um musical". Investindo 600 mil euros, equipa da produção diz não ter medo de ser processada por José Sócrates: "Está em causa a liberdade de criação artística".
Manuel Marques no papel principal, textos de Henrique Dias, a encenação a cargo do ator, encenador e músico Rui Melo e a música original com assinatura de Artur Guimarães: começam a desenhar-se os detalhes da comédia "Sr. Engenheiro - alegadamente um musical", uma sátira que parte de factos públicos sobre o ex-primeiro-ministro José Sócrates e da realidade político-social portuguesa. A estreia está marcada para 1 de abril, no Teatro Tivoli BBVA.
O espetáculo viverá uma temporada em Lisboa e seguirá para o Coliseu Porto Ageas, onde tem récitas diárias anunciadas entre os dias 14 e 17 de maio.
Esta terça-feira, foi divulgado o elenco do musical e a grande figura é Manuel Marques no papel do "Sr. Engenheiro". Sobre a sua interpretação, o ator admitiu que é uma "grande responsabilidade" e que vai ter de se distanciar do Sócrates dos sketches da televisão e "preparar outro Sócrates", de preferência que "cante muito bem", disse Manuel Marques em conferência de imprensa.
A superprodução da UAU contará ainda com Alexandre Carvalho, Brienne Keller, Jorge Mourato, Marta Andrino e Miguel Raposo. Samuel Alves, Silvia Filipe, Sissi Martins e Rita Cruz completam o leque de atores.
A peça terá uma banda ao vivo, com piano, bateria, baixo, violoncelo, guitarra e viola de arco, com música asinada por Artur Guimarães, que será também maestro.
Uma produção de 600 mil euros
"Sr. Engenheiro - alegadamente um musical", peça apresentada como "Era uma vez um primeiro-ministro que queria muito uma casa em Paris", pretende ser um regresso da sátira social aos palcos nacionais, um estilo historicamente vincado na cultura portuguesa, desde a origem em Gil Vicente, à acutilante marca deixada por autores e artistas como Almeida Garrett e Eça de Queirós, Guerra Junqueiro ou Bordalo Pinheiro.
Assumindo que é uma "produção ambiciosa", cujo orçamento vai rondar os 600 mil euros, "um valor acima da média em Portugal", entre Lisboa e Porto, o diretor geral da UAU, Paulo Dias, assumiu o grande objetivo: atingir um público acima das 50 mil pessoas.
Inspirada "na realidade política e social portuguesa e em factos públicos" da vida de José Sócrates, a peça segue a tradição da crónica de costumes portuguesa, através de uma abordagem humorística, a acontecimentos que fazem parte do imaginário coletivo nacional.
"Não esperem um manifesto político"
Segundo a sinopse, "esta é a história de um antigo primeiro-ministro, desde os seus modestos começos nas Beiras até à sua vida em Paris".
Pelo caminho, "há um melhor amigo muito generoso, uma assessora que acredita piamente nele, um motorista que sabe demais e licenciaturas tiradas ao domingo. Há também um procurador que vai tentar perceber onde acaba a amizade e começa o favor, apesar de o Sr. Engenheiro continuar convencido de que tudo não passa de uma cabala", lê-se na descrição da peça teatral.
Entre as várias personagens, há, ainda, uma ministra, uma filha, uma ex-mulher, quatro ex-namoradas, muitos jornalistas, e um entregador de pizzas, especificou o encenador Rui Melo, acrescentando que a "mãe está presente num objeto", sem dizer qual.
"O espetáculo não pretende influenciar nada", explicou o autor do texto, Henrique Dias, na conferência de imprensa. "Não esperem um manifesto político, isto não pretende ser um espetáculo político. Longe disso, é para divertir, é sobre o que é, na sua essência, a Portugalidade".
O espetáculo pretende ser uma crónica de costumes, retrato de um "mundo de fotocópias, escutas e amigos muito amigos". Com texto e canções originais, até a escolha da data de estreia em Lisboa, a 1 de abril -Dia das Mentiras - foi, segundo a produtora UAU, deliberada. "Não podia ser outra data", brincou Paulo Dias, diretor geral da UAU.
"Está em causa a liberdade artística"
Questionado sobre receia ser alvo de um processo, o argumentista Henrique Dias afirmou que "hoje em dia pode acontecer qualquer coisa", aludindo ao caso do processo que envolveu a humorista Joana Marques e a dupla musical Anjos, mas rejeitou essa hipótese salientando que "mais do que a liberdade de expressão, está em causa a liberdade de criação artística".
"Não faz sentido pensar nisso, porque estamos a trabalhar no campo da ficção e do humor. É uma sátira, é pegar em factos e levar ao exagero", afirmou, acrescentando que os acontecimentos "são todos públicos e notórios", levados ao "exagero", ao "absurdo", muito "mais longe do que a realidade".
O autor do texto disse ainda ter conhecimento de que José Sócrates se "mostrou indignado", num canal televisivo, com este espetáculo, mas, citado pela agência Lusa, foi perentório: "Não podemos estar preocupados com o visado, estamos a trabalhar para o público".
Os bilhetes para "Sr. Engenheiro - alegadamente um musical" já estão à venda, a começar nos 23 euros.
