Teatro Nacional da China acolheu pela primeira vez uma companhia portuguesa de dança

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O Quorum Ballet, sedeado nos arredores de Lisboa, tornou-se a primeira companhia portuguesa de dança a atuar no Grande Teatro Nacional da China, na terça-feira à noite, com uma coreografia intitulada "Correr o Fado".
Aberto em dezembro de 2007 na principal avenida de Pequim, aquele teatro é considerado a mais importante sala de espetáculos do país e um dos novos ícones arquitetónicos da capital chinesa.
"Acho que entrámos com o pé direito", disse o coreógrafo e diretor artístico da companhia, Daniel Cardoso, acerca da reação do público.
Entre a assistência, as pessoas ligadas à cultura portuguesa, sobretudo estudantes e professores, pareciam as mais entusiasmadas com o espetáculo, uma produção concebida como uma exposição da cultura tradicional de Portugal e da sua singular relação com o mar.
Durante cerca de hora e meia, sete bailarinos (quatro mulheres e três homens) dançaram ao som de alguns "emblemáticos fados" popularizados por Amália Rodrigues, Katia Guerreiro, Mariza e outras intérpretes, e de peças instrumentais compostas por Carlos Paredes, mas a coreografia pretende também "contrariar a melancolia" associada aquele género, disse Daniel Cardoso.
"Uma noite fantástica. Maravilhoso. Adorei", disse uma professora chinesa de português. "Portugal em movimento", assinalou uma colega portuguesa.
Um comentário no Sina Weibo, o Twitter chinês, refere que "a dança é muito bonita", mas lamenta que a música seja gravada: "Com música ao vivo, o efeito será mais eletrizante", escreveu o internauta.
Numa conferência de imprensa realizada na véspera, Daniel Cardoso explicou assim a sua fonte de inspiração: "O fado acaba por ser a música mais representativa do nosso país e foi a relação dos portugueses com o mar que pôs Portugal no mapa".
A água, aliás, também está em cena, dentro de pequenos tanques transparentes, e a peça, em chinês, em vez de "Correr o Fado", chama-se "Dança da água" ("Shui Wu").
Aqueles tanques, um dos quais com dois metros de comprimento, são mesmo as únicas peças do cenário: "A água é um elemento muito interessante para trabalhar em palco, mas não é só para ter um efeito visual bonito", afirmou o coreografo
Em "Correr o Fado", a água pretende evocar a epopeia dos Descobrimentos, nos séculos XV e XVI: "Os portugueses usaram o oceano para descobrir novos mundos", referiu Daniel Cardoso.
Antes do Quórum Ballet, a Orquestra Gulbenkian foi o único agrupamento português a atuar no Grande Teatro Nacional da China, conhecido pela sigla inglesa NCPA (National Centre for Performing Arts), em 2013.
"Gostaríamos de ter mais contactos com artistas portugueses", indicou Jiang Tao, vice-diretor de programação do NCPA, durante a referida conferência de imprensa, que contou com a participação do embaixador de Portugal na China, Jorge Torres-Pereira.
Por coincidência, foi um missionário português, Tomás Pereira, que introduziu a música ocidental na corte chinesa, no século XVII, recordou o diplomata.
No sítio da Internet do teatro, o espetáculo de terça-feira à noite era apresentado como "uma emocionante peça de arte, que junta, pela primeira vez, o fado e a dança moderna".
Criado há dez anos, com sede na Amadora, o Quórum Ballet foi considerado em 2009 a "melhor companhia portuguesa de dança contemporânea". A estreia de "Correr o Fado" data de 2011.
A companhia já dançou várias vezes na China, nomeadamente em Xangai, Cantão e Macau, mas esta foi a sua primeira atuação em Pequim.
Depois da capital chinesa, o Quorum Ballet atuará em Jinan, e, a seguir, em Xangai, Nanjing e Zhuhai, viajando em junho para a Roménia, Finlândia e Estados Unidos.
