
O traço de Mig, realista quanto baste, belíssimo, é complementado com um colorido de encher o olho.
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Uma história sensível e emotiva sobre os livros e a sua importância no novo álbum de Jim e Mig "Um livro esquecido num banco".
A viver um momento de estagnação na sua relação com o namorado de há anos, Camélia, num intervalo de almoço, encontra um livro esquecido num banco de jardim. Leitora empedernida, num tempo em que os ecrãs de todos os tamanhos são omnipresentes, abre-o e vê uma mensagem escrita: é um desafio à descoberta do verdadeiro amor - e sente que lhe é dirigida.
É assim que começa "Um livro esquecido num banco", uma bela divagação de Jim e Mig sobre "livros viajantes". O conceito de base é que, uma vez lidos, não devemos fechar os livros nas nossas bibliotecas, mas largá-los num qualquer lugar para que outros possam desfrutar deles, acreditando que "as páginas são feitas para verem a luz do dia, para serem arejadas pelos leitores em busca de emoções!"
Mesmo não ficando deslumbrada pela obra, mas sentindo-se desafiada, tão curiosa quanto subitamente apaixonada pelo misterioso escriba, Camélia decide responder-lhe e volta a colocar o livro no mesmo local.
Começa assim uma troca de mensagens - escritas em papel -que transformam a vida da jovem, incompreendida pelos amigos, cada vez mais afastada do namorado, que irá repensar muitas das suas decisões de vida ao deixar-se envolver numa busca quase obsessiva por alguém que parece ser a sua alma gémea.
E se é verdade que "ler foi a única maneira que arranjamos para viver várias vidas, vários amores, várias paixões", Camélia, entre encontros e desencontros, acredita que aquele livro a pode conduzir ao seu grande amor.
Perito em expor e analisar relações em páginas desenhadas, Jim embrenha-nos numa história sensível e emotiva sobre livros e a importância que podem ter, num tempo em que são cada vez menos as pessoas que os leem.
O traço de Mig, realista quanto baste, belíssimo, agradável e complementado com um colorido de encher o olho, conforta-nos enquanto leitores, mesmo nos momentos em que é evidente o desespero de Camélia, por quem facilmente nos deixamos seduzir e torcemos na sua procura.
A leitura cativante, apontará caminhos inesperados e soluções nem sempre evidentes, deixando como consolo, mesmo que desnecessário, um excerto que alguém cita: "Acho que nunca tive um desgosto que uma hora de leitura não dissipasse...".
"Um livro esquecido num banco"
Jim e Mig
ASA
112 páginas
22,90 €

