
"Um lugar seguro", com o ator Goran Markovic como protagonista, aborda os traumas das doenças mentais.
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Novo filme do croata Juraj Lerotic, é um dos grandes destaques entre as estreias da semana. O drama sobre saúde mental chega esta quinta-feira às salas de cinema.
Na Croácia não há apenas belas paisagens para turista ver ou grandes jogadores de futebol. Há também bom cinema, saído do grande pote que era o cinema jugoslavo, após a desagregação do país.
Juntamente com a Eslovénia, a Croácia seria mesmo um dos primeiros estados a declarar a independência da Jugoslávia, o que, além de questões eminentemente políticas, realça a identidade cultural específica dos croatas.
Não sendo uma das cinematografias mais conhecidas entre nós, um bom ponto de partida é “Um lugar seguro”, uma das grandes estreias da semana, e que chega com três prémios em Locarno.
O filme acompanha o percurso de Damir que, ao longo das 24 horas em que a ação se desenrola, tenta acabar com a sua vida. Por seu lado, a família tudo fará para o salvar.
Não sendo naturalmente um dos temas mais agradáveis ou divertidos que o cinema possa abordar, não são muitos os exemplos de obras sobre os traumas das doenças mentais. Este trabalho do croata Juraj Lerotic vai direitinho para essa lista restrita, com a curiosidade ainda de se tratar de uma primeira longa-metragem, que se segue na obra do realizador a duas curtas e uma série de TV.
“Um lugar seguro” não deixa de nos fazer pensar na dureza narrativa e de estilo de “4 meses, 3 semanas e 2 dias”, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro para a Roménia, outro país que, no mesmo momento histórico, se libertara de um regime totalitário e dessas cinzas fez nascer um cinema vibrante.
Mas o filme de Lerotic tem a sua própria identidade, aposta no humano, através do qual nos podemos identificar com a sua personagem central, interpretada com a sobriedade necessária pelo já experiente Goran Markovic, e acaba por se tornar uma celebração da vida e uma celebração do cinema.
Quando, infelizmente, muitos filmes se parecem uns com os outros, e grande parte dos realizadores se limita a filmar o seu guião, é bom perceber que há ainda novos talentos a pensar o novo cinema e a não ter receio de abordar temáticas duras como as de “Um lugar seguro”.
