
Margarida Balseiro Lopes destaca o "potencial brutal" da Cultura
Foto: Pedro Correia
A ministra da Cultura anunciou esta quarta-feira no Porto o novo programa de apoio que procura contribuir para um maior reconhecimento nacional além fronteiras.
Os artistas portugueses vão poder candidatar-se já este ano a uma nova linha de financiamento criada pelo Ministério da Cultura para a internacionalização do seu trabalho, mas também da cultura e da identidade nacionais.
O programa foi apresentado hoje pela ministra Margarida Balseiro Lopes na segunda edição do Fórum Cultura, encontro que reúne no Porto decisores políticos, criadores, programadores e especialistas para uma reflexão sobre a importância estratégica desta área.
No valor de um milhão de euros, a medida será coordenada pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento das Atividades Culturais, em estreita articulação com outras entidades públicas, como AICEP, Turismo de Portugal ou Instituto Camões.
"Já existiam iniciativas pontuais de apoio aos criadores, mas nenhuma com a robustez e a articulação necessárias para ter o impacto desejado", sublinhou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto ao JN.
O novo programa de internacionalização está aberto a artistas ou criadores que queiram participar em feiras, exposições ou mostras artísticas no estrangeiro, candidatando-se a uma linha de apoio que prevê o pagamento de uma percentagem, ainda não estimada, dos custos envolvidos.
Aliança com a economia
Os selecionados deste ano poderão beneficiar do apoio estatal já em 2027, prevendo-se a sua continuidade para os anos seguintes.
Para evitar "o duplo financiamento", a ministra reitera que só poderão participar artistas que não estejam a beneficiar já de apoios oficiais. Apesar de não excluir faixas etárias, o programa "privilegia artistas emergentes", acrescenta, e não discrimina artes, porque "uma ministra não pode ter gostos".
A responsável assume que a nova estratégia passa por aliar a dimensão simbólica, de "projetar a imagem de Portugal no Mundo", com uma vertente nem sempre associada à Cultura: o impacto económico.
As próximas iniciativas culturais de grande porte fora do país já refletem essa articulação com outras áreas. É o caso da exposição que vai reunir mais de uma centena de obras de Paula Rego num dos principais museus de Oslo, na Noruega, entre abril e agosto deste ano, ou a participação nas Jornadas do Património de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, onde Portugal é o país convidado. "A Cultura tem um potencial brutal de aproximar, criar pontes e estabelecer diálogos que de outra forma não existiam", enfatiza a ministra.
