
Ator Ethan Hawke é notável a recriar a figura lendária de Lorenzo Hart.
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Compositor Lorenzo Hart renasce no novo drama de Richard Linklater "Blue moon", que esta quinta-feira estreia nos cinemas.
Esteve para não estrear por cá, mas finalmente chegou aos cinemas: realizado por Richard Linklater ainda antes de "Nouvelle Vague", "Blue moon" é uma homenagem a um dos nomes maiores da história da Broadway, Lorenzo Hart.
Linklater, referência do cinema indie norte-americano, viveu um 2025 de sonho, Antes de estrear mundialmente em Cannes o seu filme sobre a recriação da rodagem de "A bout de souffle", de Jean-Luc Godard, e do espírito do movimento dos cineastas saídos da revista "Cahiers du Cinema", o realizador tinha apresentado no Festival de Berlim este "Blue moon". Além de assumidamente cinéfilo, é também melómano.
O cineasta é conhecido, entre outros, pela trilogia "Antes do amanhecer", "Antes do anoitecer" e "Antes da meia-noite", reencontrando, a cada dez anos, as personagens interpretadas por Julie Delpy e Ethan Hawke. E é a este último que recorre para protagonizar "Blue moon".
Apesar de algum experimentalismo no seu cinema, Linklater assina com "Blue moon" uma das suas obras mais clássicas, mas fascinante no que conta - e, sobretudo, como nos conta.
A ação do filme passa-se durante algumas horas do dia 31 de março de 1943, num bar de Nova Iorque, onde Lorenzo Hart, grande autor de musicais da Broadway e de Hollywood e autor de canções como a que dá o título ao filme, se refugia na bebida, na mesma noite em que o seu colaborador de grandes sucessos, Oscar Hammerstein II, tem a sua grande noite, agora ao lado de Richard Rodgers, com a estreia da nova peça "Oklahoma!"
Lorenzo Hart morreria alguns meses depois, com apenas 48 anos. Todos nós já trauteámos canções da sua autoria, mas pouco sabíamos antes da sua vida, das suas mágoas, da sua sexualidade.
Com um notável Ethan Hawke a recriá-lo, "Blue moon" é uma delicada e sensível homenagem a um homem com muitos talentos, menos o de conseguir ser feliz. Um retrato de uma personagem e de uma época, por um cineasta que, para o nosso prazer, se reinventa a cada momento.
