
Adelino Meireles/Global Imagens
A Warner Bros anunciou esta quinta-feira que todos os filmes com lançamento previsto para 2021 serão lançados ao mesmo tempo na plataforma de streaming HBO Max e nas salas abertas a nível nacional e internacional.
A empresa justificou a medida com os "tempos inéditos" que vivemos e que "exigem soluções criativas". E pelo facto de as restrições sociais impostas pela pandemia não parecerem encontrar solução para a indústria cinematográfica a curto prazo. O anúncio foi interpretado como um precedente preocupante para a indústria de exibição de filmes em todo o mundo.
Andy Forssell, chefe da HBO Max Global, anunciou esta quinta-feira, durante uma palestra no Web Summit, em Lisboa, que os serviços de streaming da HBO disponíveis na Europa começarão a ser atualizados para HBO Max no segundo semestre de 2021.
A decisão afeta pelo menos 17 filmes, que representam mais de 1.000 milhões de dólares em custos de produção (823 milhões de euros). A lista de filmes inclui algumas longas-metragens de grande orçamento, como "Suicide Squad", "Godzilla vs. Kong", "Dune", "The Matrix 4".
As produções poderão ser vistas na HBO Max, no primeiro mês após sua estreia e serão depois removidas do serviço de streaming e continuarão nos cinemas até que concluam o período normal de exibição. Mais tarde, poderão ser novamente vistos em casa, não está claro como a medida vai alterar os acordos entre o estúdio e os distribuidores de cinema, que vêem o modelo de negócio seriamente afetado neste novo normal.
Num ano com muitos cinemas fechados no mundo inteiro, os estúdios estão a tentar descobrir como sobreviver ao outono sem filmes de sucesso para adultos. A Warner Bros já atrasou o clássico "Wonder Woman" , que será lançado nos cinemas e na HBO Max, a 25 de dezembro. Com o blockbuster "Dune", uma versão do clássico de ficção científica de Frank Herbert que David Lynch já adaptou para o cinema em 1984, eles preferiram não exibi-lo e, após vários atrasos na estreia, passou de 18 de dezembro para 11 de outubro de 2021.
A Warner Bros não é caso único neste ano de 2020, também a Disney lançou o" Mulan", na plataforma de streaming Disney +, mas não o incluiu como parte da assinatura, para ver o filme, o utilizador tinha de pagar 24,7 euros.
Também a Universal tomou uma decisão semelhante em abril, lançando "rolls World Tour" nos cinemas e online ao mesmo tempo.
Os mais pessimistas assumem que estes precedentes podem ditar o fim das salas de cinema tal como as conhecemos.
