Whindersson Nunes: "O humor faz-nos passar pela experiência da vida mais em paz"

O espetáculo versa sobre situações inusitadas, mas baseadas em momentos reais
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"Criando bagagem", espetáculo com Robson Sousa, chega a Coimbra e ao Porto esta semana.
Em digressão por Portugal, "Criando bagagem", espetáculo de comédia que junta os humoristas brasileiros Whindersson Nunes e Robson Sousa, é "uma visão positiva das coisas menos boas" que nos acontecem, especificamente num contexto de viagens. O encontro passa na terça-feira, 3 de fevereiro, pelo Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra; e no dia 4 pelo Coliseu do Porto Ageas.
Mais do que piadas, "Criando bagagem" pretende ser, e representar, um encontro descontraído de dois amigos que, depois de anos a viajar com a comédia, decidiram dividir o palco e as histórias acumuladas: de voos perdidos, a problemas de bastidores, de choques culturais a acidentes de percurso.
Ao JN, Whindersson Nunes, comediante, cantor, compositor, ator e pugilista brasileiro - que ficou conhecido pelos seus vídeos de humor no YouTube desde 2011 - explica como a ideia surgiu. "Foi porque eu e o Robson fizemos quatro tournées mundiais, corremos a Europa inteira, o Japão, tantos lugares, tantas histórias. E não queríamos deixar passar essas histórias, e não contar essas experiências. Até porque os portugueses, por exemplo, também viajam muito, conhecem muito o Mundo, e é bom compartilhar", frisa o humorista -acrescentando que há detalhes que podem até ajudar, quem assiste, a escolher: a "saber a que destinos ir, a saírem dos mesmos de sempre. E o que se pode esperar é isso: muita coisa nova sobre o Mundo, porque no fundo abrimos um novo mundo quando começamos a contar a história de um lugar onde a pessoa nunca foi, e ela imagina-o, ela pesquisa-o, e a ideia é essa", frisa.
Quase "mudar o passado"
O espetáculo versa sobre situações inusitadas, mas baseadas em momentos reais. "É real, mas pegamos na história e transformamo-la em algo engraçado. Por exemplo, eu partir o braço, não é engraçado, mas contar isso dez anos depois, pode até tornar engraçado aquele momento, entendem? Na maneira de contar. Então quase se está a mudar o passado, ao criar algo bom", frisa Nunes.
O humorista e Robson conhecem-se "há quase 18 anos", desde um encontro num espetáculo, "e vivemos comédia desde então", conta o performer. Whindersson garante que a magia está nas diferenças entre os dois. "Não é que o nosso humor seja parecido, na verdade é bem diferente, mas é isso que é interessante, porque democraticamente as pessoas gostam de coisas diferentes. Então quem vai ao nosso espetáculo, vai ter momentos e piadas diferentes. A dele é uma coisa mais física, mais no mundo material, a minha já é uma coisa mais mental", relata. Mesmo na entrega, "o Robson gosta muito da interação, do stand up e eu gosto mais do lado teatral, pelo que há também improviso, mas muito texto", adianta.
Para Whindersson Nunes, rir é mesmo o melhor remédio, e o comediante garante: ele "reflete o poder da escolha": "o poder de tornarmos um momento que foi mau, numa coisa boa. Ele pode fazer-nos passar por esta experiência da vida, esta experiência terrena, de uma forma mais tranquila; mais em paz". Tem tudo a ver com "uma visão positiva das coisas".
