
Carmen Souza tem 41 anos
D.R.
"Interconnectedness" é o décimo trabalho da luso-cabo-verdiana Carmen Souza. Cantora aproxima-se mais da "world music" sem esquecer raízes do jazz.
Um filho da pandemia, "Interconnectedness" chega-nos com uma melancolia e reflexões próprias dos longos meses em que estivemos fechados em casa. Em inglês, o termo que dá nome ao álbum de Carmen Souza refere-se ao estado de ter diferentes partes relacionadas entre si. É isso mesmo que nos quer dizer a artista: que a pandemia nos mostrou sermos iguais.
Sem nunca deixar a sua base assente no jazz, a cantora luso-cabo-verdiana lança o novo trabalho com raízes cada vez mais sólidas na Música do Mundo. Denuncia-o logo à partida, na primeira faixa, repleta de ritmos quentes dançáveis. Os apontamentos de instrumentos africanos não podiam faltar. A própria admite estar diferente. E que os confinamentos alteraram a sua forma de ouvir e pensar música. Agora, está ainda mais dedicada às raízes, neste caso, de Cabo Verde.
No mesmo formato há também espaço para apreciar melodias mais românticas e doces, como "Sous le ciel de Paris", num final de álbum que nos leva ao "background" da artista no jazz. "Silver blues" é a prova disso.
Também dentro daquilo a que Carmen Souza já nos foi habituando, a língua portuguesa e o crioulo vivem em "conexão" neste álbum. Mas não só. Pelo meio temos ainda apontamentos de francês e alemão, num disco que compila todas as facetas da cantora.
À semelhança dos anteriores álbuns de Carmen Souza, "Interconnectedness" vem com carimbo do seu mentor e colega de trabalho Theo Pas"cal, que a acompanha desde o início da carreira, resultando essa pareceria num álbum cada vez mais maduro e afinado, desde a conceção à produção.
O disco foi apresentado primeiro na Alemanha e em França e depois editado em Portugal, terra onde a artista nasceu, em janeiro. Fevereiro traz a digressão nacional, na qual se espera a energia africana em palco, de apresentação do álbum "Interconnectedness". O primeiro concerto acontece no Teatro Municipal da Covilhã, a 11 de fevereiro. Já confirmados, seguem-se Setúbal, Lisboa, Ovar, Aveiro e Mealhada.
