
Rodrigo Leão
Paulo Pacheco
O Manta é o festival que, na Cidade Berço, marca o fim da época estival e abre um novo ciclo cultural. Este ano, com um cartaz completamente nacional, a noite de sexta-feira foi preenchida com Meta (Mariana Bragada) e Rodrigo Leão. A chuva, que empurrou os concertos para o interior do Centro Cultural Vila Flor, acabou por não cair.
Não ter podido acontecer nos jardins do Palácio Vila Flor foi, porventura, a única contrariedade desta noite musical de fim de verão. A meteorologia apontava para chuva e a organização, à cautela, passou os dois concertos para o Grande Auditório. Nem por isso o público deixou de comparecer. Por uma questão de controlo da lotação da sala era necessário levantar os ingressos nas bilheteiras e, a meio da tarde de sexta-feira (começaram a distribuir de manhã), já estavam esgotados.
O Grande Auditório ainda não estava cheio quando Meta lançou os primeiros acordes, mas as pessoas foram chegando e pouco depois a sala estava completa. A medida que a transmontana ia cosendo a sua manta de retalhos musical, sempre pontuada com agradáveis momentos de comunicação informal com o público, começou a perceber-se que, por ser dentro de portas, talvez alguns habituais deste festival não tenham marcado presença. Em outros anos, nos jardins, é vulgar verem-se famílias, mesmo com crianças muito pequenas, essa dimensão perdeu-se um pouco.
Nada que impedisse Meta de contagiar o público presente com uma improvável mistura de ritmos tradicionais com influências de música do mundo, uma guitarra elétrica e uma loopstation. Nas música finais, Sara Grenha e Sara Brandão juntaram as suas vozes à música, adicionado mais uma camada de prazer para quem estava a ouvir um concerto que já ia bem até ali, mas assim acabou em grande.
Um projeto de cinema
Rodrigo Leão dispensa apresentações e é verdade que muita gente terá ido ao primeiro dia do Manta só por ele. Esses não terão ficado desiludidos. O espetáculo Cinema Project reúne repertório dos três discos editados em 2020 e 2021 ("O Método", "Avis 2020" e "A Estranha Beleza da Vida"), assim como uma seleção de temas clássicos do compositor, portanto, acabou por ser uma revisitação geral ao repertório.
Cinema Project, como não podia deixar de ser, tem forte componente visual. Ao longo do concerto é feita uma projeção vídeo de imagens de Gonçalo Santos, que integram desenhos da autoria do próprio Rodrigo Leão. Se em alguns espetáculos esta dimensão é acessória, neste caso é mesmo essencial para fruir completamente.
Um momento especial, até por ser protagonizado por gente da terra, foi quando, a maestrina Janete Ruiz subiu ao palco com os Jovens Cantores de Guimarães, para cantarem os últimos três temas.
O Manta continua, este sábado, com Trangolomango (15.30), um espetáculo para os mais novos que mistura uma formação típica de rock com uma concertina. A noite deste segundo e último dia, está reservada para Noiserv (21.30) e Sean Riley com The Legendary Tigerman (22.30). Os concertos são gratuitos, mas a lotação é limitada, portanto, é preciso levantar os ingressos na bilheteira do Centro Cultural Vila Flor.

