
"Não procuro ser famoso, procuro ser bem sucedido"
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O disco de estreia de Luís Trigacheiro, vencedor do The Voice em 2021, foi reeditado, com inéditos especiais e gravações ao vivo.
Luís Trigacheiro estudava Agronomia, no caminho provável de uma vida ligada a esta área, quando uma passagem pelo "The Voice" motivada por uma sua outra paixão - a música, sobretudo a tradicional portuguesa, que cresceu a ouvir e a cantar - lhe mudou a vida.
Vencedor do concurso de talentos em 2021 na edição decorrida em pandemia, o cantor de Beja que se iniciara com poucos anos com o avô, passando por grupos juvenis de cante, lançou o seu disco de estreia em 2022. O sucesso foi imediato: o álbum permaneceu nos tops nacionais e ganhou, já perto do final do ano, uma nova edição especial com temas inéditos e gravações ao vivo - que serão também divulgadas em vídeo ao longo dos próximos meses.
Quanto aos inéditos, um é de Agir e outro junta Trigacheiro a Marisa Liz e António Zambujo; ambos mentores do programa que venceu.
Com o ano que teve, depois de ganhar o "The Voice", a agronomia foi definitivamente trocada pela música?
Sim, neste momento congelei a matrícula em Agronomia, na expectativa de que, se e quando tiver disponibilidade, a retomarei...
Mas "esperando" não vir a ter essa disponibilidade?
Sim, esperando já não vir a ter essa disponibilidade...
Venceu o programa em plena pandemia: como foi conjugar este viver de um sonho, o editar do disco, com uma fase tão atípica?
Foi uma adaptação, para todos claro, mas para mim foi acentuada porque entre a pandemia e tudo o que aconteceu a minha vida mudou muitíssimo. Claro que acabou, devido às circunstâncias, por ser tudo mais demorado do que seria de esperar; mas agora olhando para trás se calhar até teve o lado positivo de ao muita gente estar em casa, muitos verem o programa e ficarem a conhecer-me.
Começou com o cante alentejano das suas raízes de Beja; tem sonoridades de fado, canção portuguesa, brasileira, jazz... já definiu o estilo que prefere seguir ou prefere não seguir estilos?
Eu até gostava de dizer qual é o meu estilo mas ainda não consegui chegar a conclusão nenhuma, por ser uma mistura tão grande. E já realizei que se não consigo encontrar uma resposta, se calhar é porque ela não existe (risos); e nesse caso é mesmo assim....
Ao crescer e hoje, quais as suas inspirações musicais?
Tenho alguns artistas que adoro ouvir e varia muito - do António Zambujo ao Frank Sinatra, Ellis Regina, Chico Buarque. Todos artistas muito diferentes mas que, lá está, acabam por me influenciar de alguma maneira.
No single "Quem me vê" - ainda que a letra seja de Tiago Nogueira - diz: "Quem me vê não sabe bem; de verdade quem eu sou". Os fãs que o seguem, e veem, sabem quem é?
Eu acho que sim. E acho que até é por isso que as pessoas vão aos concertos, para confirmarem se eu sou realmente assim e penso que quando voltam será porque concluíram que sim. Sou uma pessoa muito simples, não gosto de 'showoffs', de grandes coisas. Gosto das coisas simples; e o simples, quando bem feito, é muito bom.
Mas já aprendeu a gerir a inevitável fama e atenção?
Sim, eu tenho uma fama muito pequena (risos), mas sei lidar bem. Gosto de falar com as pessoas, de dar atenção. Eu não procuro ser famoso: procuro ser bem sucedido, e o que vier com isso tenho de saber lidar...
Editado em 2022, o seu álbum de estreia tem permanecido no top de vendas; esperava este sucesso?
Eu nunca... mesmo quando tenho feelings não lhes ligo muito, não gosto de esperar demasiado porque tenho receio de ser desiludido. Gosto de deixar o barco andar, até porque neste mundo não há uma certeza, uma fórmula: algo pode resultar, não resultar... e acho que é isso que nos faz a nós, artistas, procurar sempre algo novo, diferente, experimentar.
A edição especial agora editada tem inéditos e um é da Marisa Liz e António Zambujo, ambos seus mentores no programa; como foi cantar algo deles, a responsabilidade é maior?
Eu agora já os vejo mais como colegas, ainda que os tenha também como referências. Mas sim foi uma honra, e um passar de uma bola pesada para as mãos. Foi eu pensar que tinha mesmo de dar o meu melhor; e sim, uma responsabilidade acima das outras.
Tem dado muitos espetáculos ao vivo, por todo o país e como é esta parte; é o melhor, o feedback do público?
Os concertos dão-me muito gozo, sobretudo quanto mais intimistas forem. Gosto dos concertos ar livre, mas em salas fechadas, sem ruído, há todo um contacto com o público, uma intimidade que se cria. Mas, no geral, adoro a parte do estar em palco.
Quais os planos para o futuro, vêm aí mais concertos?
Sim, vem uma continuação ao vivo, e é também já para testar alguns primeiros temas, ou ideias de temas, do próximo disco... Vai ser um não parar: tenho concertos marcados para novembro...
