
Juliette Binoche e Vincent Lindon
D.R.
Cineasta francesa Claire Denis usa o bisturi das emoções em "Com amor e com raiva". Filme é um drama de paixões e estreia esta quinta-feira nos cinemas portugueses.
Se uma história de amor é o tema mais abordado de sempre no cinema, como na literatura e em outras formas de expressão narrativas, a vantagem é que não há duas histórias de amor iguais. Claire Denis mostra-o, uma vez mais, no arrasador "Com amor e com raiva" que, para aguçar o apetite cinéfilo, conta com um imperdível duelo de atores, entre Juliette Binoche e Vincent Lindon.
Quando o filme tem início, Jean e Sara vivem juntos há dez anos e mantêm uma relação estável e apaixonada. Quando se conheceram, Sara vivia com François, à época o melhor amigo de Jean. Como é necessário que algo aconteça para que o drama se instale, um dia, Sara vê François na rua. Ele não a vê, mas um sentimento de que a vida pode mudar repentinamente apodera-se de Sara. Quando François, não podendo saber o que se passava, convida Jean a trabalhar com ele, o caos instala-se no casal....
Uma das cineastas francesas mais respeitadas da atualidade, o cinema de Claire Denis está sempre à procura de algo novo, passando facilmente da abordagem física dos corpos da Legião Estrangeira em África de "Beau travail" para a vida no espaço de "High life", passando pela paixão literalmente sangrenta de "Trouble every day" ou pelo intimismo familiar de "35 shots de rum".
Condicionalismos de produção fizeram que logo a seguir à estreia de "Com amor e com raiva" em Berlim, Claire Denis estreasse em Cannes novo filme. E um desencontro de distribuidores faz com que esse outro filme, "Stars at noon - Paixão misteriosa", passado na Nicarágua, estreie entre nós na próxima semana.
Para já, olhemos "Com amor e com raiva", que sintetiza bem o cinema de Denis: uma atenção profunda às personagens, talvez nunca como aqui filmadas tão de perto e vistas tão por dentro, uma vontade endémica de compreender o ser humano, nas suas fragilidades e incongruências, a coragem de ir até ao fim, de nos incomodar, de nos confrontar. E quando o "nós" e "o outro" com que nos identificamos têm o corpo e a alma de Binoche e Lindon, o espetáculo (das nossas emoções) é garantido.
