Estudo sobre gravidade paga cinco mil euros para estar deitado dez dias, mas só quer homens

Foto: NASA
O estudo científico em França, previsto para junho do próximo ano, pretende observar como o corpo humano se adaptaria à ausência de gravidade no espaço, mas não procura participantes do sexo feminino. Esta sexta-feira, 13 de fevereiro, parte a segunda mulher astronauta de nacionalidade francesa rumo à Estação Espacial Internacional para integrar várias investigações, uma delas vai envolver 4500 turmas gaulesas.
O Instituto de Medicina e Fisiologia Espacial Medes, sediado em Toulouse, no sul de França, está à procura de dez voluntários que possam ficar deitados durante dez dias consecutivos em troca de cinco mil euros, divulgou este centro.
O estudo científico, previsto para junho do próximo ano, pretende observar como o corpo humano se adaptaria à ausência de gravidade no espaço bem como a forte restrição alimentar.
A simulação, organizada a pedido do Centro Nacional de Estudos Aeroespaciais de França (CNES), está a ser realizada na Terra devido à dificuldade de conduzir determinadas pesquisas científicas durante os voos espaciais.
"A ideia é perceber como os fluidos corporais, água e sangue, são redistribuídos em condições de ausência de gravidade", explicou um porta-voz do Medes. O instituto procura dez homens, com idades entre os 20 e os 40 anos, com bom domínio do francês, refere a informação do concurso que pode consultar no original aqui e no qual não é explicada a razão pela qual apenas procuram participantes do sexo masculino.
Os candidatos devem estar de boa saúde e praticar desporto regularmente. Estes voluntários passarão dez dias deitados numa posição ligeiramente inclinada, consumindo apenas 250 calorias por dia.
Voo com 4500 turmas francesas
O anúncio surge dias antes de Sophie Adenot e os outros três astronautas da Crew-12 se prepararem para descolar esta sexta-feira de manhã, 13 de fevereiro, numa emissão que poderá ser acompanhada em direto no canal do YouTube da Agência Espacial Europeia (AEE), e que se vão juntar à Estação Espacial Internacional (EEI).
A coronel da Força Aérea está, assim, prestes a tornar-se na segunda mulher astronauta francesa a chegar ao espaço, na senda de Claudie Haigneré.
Astronauta francesa Sophie Adenot (Foto: NASA/ESA/Instagram Sophie Adenot)
Segundo a AEE, Adenot viajará com os astronautas americanos da NASA Jessica Meir e Jack Hathaway e o cosmonauta russo da Roscosmos Andrey Fedyaev. "Os quatro tripulantes iniciaram sua quarentena de rotina de duas semanas no Johnson Space Center da NASA, em Houston, na quarta-feira, para reduzir doenças pré-voo e prevenir o aparecimento de sintomas durante o voo", lê-se no site da entidade.
De acordo com a agência, a "missão Epsilon de Sophie Adenot a bordo da EEI durará nove meses. Lá, a astronauta realizará mais de 200 experiências, várias das quais foram preparadas e serão monitorizadas pelo Cadmos, Centro para o Desenvolvimento de Atividades de Microgravidade e Operações Espaciais, entidade com sede em Toulouse. Uma destas experiências francesas será dedicada aos jovens: o ChlorISS será realizado simultaneamente por Sophie Adenot na EEI e por 4500 turmas em toda a França", refere ainda a entidade.
Entre os objetivos desta iniciativa realizada a par com as escolas, pretende-se "melhorar o conhecimento científico, nomeadamente em fisiologia, área de especialização histórica do Cadmos, qualificar novas tecnologias para preparar o futuro da exploração espacial tripulada, particularmente da Lua e de Marte e envolver os jovens na aventura espacial através de uma experiência educativa que visa despertar o seu interesse pelas carreiras científicas e técnicas".

