Liga dos Campeões

Árbitro acusado de racismo tem carreira cheia de polémicas

Árbitro acusado de racismo tem carreira cheia de polémicas

Chama-se Sebastian Coltescu e nasceu a 6 de maio de 1977, em Craiova, na Roménia, caindo nas bocas do Mundo esta terça-feira ao ter sido protagonista na interrupção Paris Saint-Germain (PSG)-Basaksehir, da Liga dos Campeões, acusado de ter proferido palavras racistas. "Não sou racista", sublinha o juiz romeno que já dirigiu um jogo da seleção nacional, em 2017.

"Estou apenas a tentar ser bom. Não vou ler nenhuma notícia. Quem me conhece sabe que não sou racista. Pelo menos, assim espero", desabafou o referido juiz, numa mensagem enviada aos familiares mais próximos a que o jornal desportivo romeno "Prosport" teve acesso e divulgou esta quarta-feira.

O caldo entornou quando, ao 14.º minuto do PSG-Basaksehir, Sebastian Coltescu chamou o árbitro principal, Ovidiu Hategan, para expulsar o treinador adjunto do clube turco. "O negro está ali, vai lá ver quem é. O negro que está ali, não pode agir desta forma", disse Coltescu em romeno. Essas palavras foram captadas pelo visado, Pierre Webó, que ripostou de imediato e de forma insistente: "Porquê o negro? Porquê o negro?".

A discussão aproximou todos os intervenientes do jogo junto à linha lateral em frente aos bancos de suplentes, onde toda a ação decorreu. Demba Ba, de frente para Sebastian Coltescu, saiu em defesa do treinador: ""Porque não dizes só 'este gajo'? Tu também dizes 'expulsa o branco'? Então porque tens de dizer "expulsa o preto"? Ouve o que estou a dizer...". Pouco, depois, os jogadores do Basaksehir abandonaram o terreno do jogo. Solidários com os colegas de profissão e em defesa da mesma causa anti-racista, a equipa do PSG também recolheu aos balneários.

Por essa altura, a ação de Sebastian Coltescu, de 43 anos, já era notícia em todo o Mundo e a imagem internacional estava mais manchada do que aquela que tem no país natal, onde a sua carreira esteve envolvida noutras polémicas. Profissional da arbitragem desde 1996, desceu de escalão na Roménia em 2007, quando já tinha as insígnias da FIFA, voltando ao topo no ano seguinte. No país onde nasceu há relatos de ter interferência direta em diversos resultados dos jogos que dirigiu, devido a decisões incompreensíveis. O igualmente polémico Gigi Becali, dirigente máximo do Steaua Bucareste, já tinha sugerido, em 2010, que Coltescu deveria retirar-se da arbitragem.

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Alguns anos depois, por causa de mais uma polémica arbitragem no campeonato romeno, foi afastado pela UEFA de um jogo da Liga Europa que iria dirigir. Está visto que a carreira deste juiz já há muito que era conturbada, mas agora ganhou toda uma nova dimensão, face ao sucedido em Paris. Apesar disso tudo, em 2017 cruzou-se com a seleção nacional, ao ter sido nomeado para dirigir um jogo de preparação entre Portugal e Arábia Saudita, que teve vitória lusa, por 3-0, no Estádio do Fontelo, em Viseu. Carlos Xistra foi o quarto árbitro dessa partida, que teve golos de Manuel Fernandes, Gonçalo Guedes e João Mário.

Agora, a carreira do juiz romeno está em risco, mas já se sabia que esta seria a última época em que iria dirigir jogos da UEFA, visto que o seu nome já não constava na lista de árbitros enviada pela federação romena para aquela entidade, tendo em vista o próximo ano.

O PSG-Basaksehir será retomado, esta quarta-feira, pelas 17.55 horas em Portugal com uma nova equipa de arbitragem. Foi esta a forma que a UEFA encontrou para convencer as duas equipas a terminarem o jogo. Ainda no relvado do Parque dos Príncipes, nos momentos que se seguiram ao crime, Neymar foi taxativo: "Não vamos jogar, não jogamos com esse tipo aqui".

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