
Benfica defronta o Inter
PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
Benfica nunca passou dos quartos de final no novo modelo da Liga dos Campeões, introduzido em 1992. Ausências de Bah e de Otamendi obrigam Roger Schmidt a mudar setor defensivo. Morato e Gilberto no onze.
O Benfica defronta hoje o Inter de Milão, na Luz, na primeira de mão dos quartos de final, o último degrau antes do objetivo das meias-finais, fase que não atinge na prova milionária há 33 anos. Desde que o novo formato da competição ganhou forma, em 1992, nunca ultrapassou os quartos - foi eliminado em cinco ocasiões. Diante do Inter, adversário do agrado do universo benfiquista após o sorteio, por ser teoricamente inferior a outros tubarões, as águias têm de ultrapassar também a história - nunca venceram o conjunto italiano em jogos oficiais - e estão motivadas em vingar o F. C. Porto, afastado pelos nerazzurri na ronda anterior.
Além das dificuldades naturais de encontrar o quinto classificado da liga italiana, Roger Schmidt tem em mãos outra forte contrariedade: é obrigado a alterar metade da defesa, setor em que habitualmente os treinadores não gostam de mexer. Bah, lesionado, e Otamendi, castigado, cedem os lugares a Gilberto e a Morato, os eleitos para jogarem ao lado de António Silva e de Grimaldo. A única vez, nesta temporada, em que este quarteto atuou junto coincidiu com uma vitória robusta (3-0) sobre o Boavista, no Estádio do Bessa, na quarta jornada do campeonato. Um bom augúrio.
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Ainda assim, o moral está em baixo. Abanado depois da derrota na sexta-feira frente ao F.C. Porto, cabe também a Roger Schmidt devolver a confiança ao grupo. No passado recente, o Benfica já provou ser capaz de dar a volta a maus momentos: após a queda ante o Braga, na primeira volta do campeonato, venceu a seguir o Portimonense, por 1-0, na Luz. O grau de dificuldade da partida de hoje à noite é completamente diferente, porém o ciclo de vitórias conseguido nesta temporada deve ser suficiente para evitar uma queda abrupta de ânimo.
De qualquer maneira, a última vez que os encarnados perderam dois jogos consecutivos na Luz foi em janeiro de 1997, com o F. C. Porto e o Belenenses, para o campeonato. Pelo meio caiu também frente ao V. Guimarães, no Minho. Paulo Autuori era o técnico.
Valor recorde
No capítulo das finanças, a eliminatória com o conjunto italiano pode igualmente ser crucial. Até ao momento, a SAD amealhou 73 milhões de euros e está de olho em mais 12,5 milhões, valor que garante se passar à ronda seguinte. Um valor recorde (85,5 milhões) para as finanças do Benfica e para o futebol português.
Em perigo de exclusão para o encontro da segunda mão, que está marcado para o dia 19, em Milão, encontram-se três jogadores que têm sido fundamentais: Florentino, João Mário (defronta a antiga equipa) e Gonçalo Ramos.

