
Benfica conquistou a Liga Europeia de andebol depois de derrotar os alemães do Magdeburgo
Álvaro Isidoro / Global Imagens
Federação de Andebol de Portugal tem vindo a perder praticantes mas ambiciona fechar a época com 54 mil inscritos. O segredo do sucesso dos clubes e da seleção.
Capas de jornais, aberturas de noticiários e títulos em letras gordas. Se em tempos era um cenário estranho, de há uns anos para cá o "surpreendente" tornou-se vulgar, com as incríveis conquistas do andebol português numa altura em que a modalidade tem vindo a perder atletas por causa da pandemia.
O mais recente êxito foi obra do Benfica, com as águias a estrearem-se a vencer a Liga Europeia (segunda prova de clubes mais importante na Europa) logo na primeira vez que atingiram a final e frente ao gigante Magdeburgo que lidera a Liga alemã, considerada a melhor do Mundo. Antes (2017/18), já o F. C. Porto tinha conseguido um terceiro lugar na EHF Cup, sendo que nos anos posteriores tem-se vindo a afirmar cada vez mais como uma equipa de Liga dos Campeões.
Por tudo isto, estamos, então, a falar daquela que pode ser apelidada como "revolução de sucesso". E o processo ganha ainda mais força se nos apoiarmos nas evidências dos números. Basta termos em conta que na época 2017/18, o número de praticantes - segundo dados fornecidos ao JN pela Federação de Andebol de Portugal (FAP) - se situava nos 49 661 inscritos (soma de seniores e formação em masculinos e femininos) e que três épocas depois, fruto da pandemia, reduziu para 31 447 inscritos. Em dezembro de 2021 estavam apenas registados 15 781 praticantes. E é aqui que os recentes êxitos assumem um papel heroico.
Quem o diz é Paulo Sá, diretor técnico geral, que explicou, ao JN, como foi possível dar a volta a uma situação verdadeiramente dramática. "A pandemia provocou um decréscimo nunca antes visto. Sentimos isso na pele. Aos resultados desportivos de sucesso dos três grandes e da seleção nacional, juntamos um "forcing" na formação de mil professores e projetos ligados às escolas. Posso dizer que vamos terminar julho deste ano com cerca de 54 mil inscritos, um número superior aos das épocas que antecederam a pandemia", referiu.
Mas existem mais segredos que explicam a fórmula vencedora das equipas e da seleção portuguesa. Para o técnico do Gaia, Carlos Resende, considerado por muitos o melhor andebolista luso de sempre, a resposta é simples: "Investimento. Arrisco-me a dizer que o melhor treinador do Mundo nunca o conseguiria ser sem bons jogadores. F. C. Porto, Benfica e Sporting nunca tiveram orçamentos tão grandes como agora. Isso tem feito a diferença", adiantou ao JN.
Já para Ricardo Moreira, treinador do Águas Santas, o "clique de glória" começou com a primeira presença do F. C. Porto na Champions. "Foi um passo de gigante para o andebol luso atingir outros patamares". Contudo, o técnico deixou uma ressalva. "O trabalho de formação não está a ser bem feito. A captação é fraca e os conteúdos abordados são escassos. Cada vez menos, temos atletas jovens a aparecer com qualidade".
De maneira a aumentar a competitividade na Liga, a FAP irá reduzir, em 2022/23, o número de equipas de 16 para 14. Da mesma forma está decidido que na época seguinte (2023/24) o número vai baixar ainda mais, para 12. "A partir daí poderemos pensar noutra fórmula competitiva", revelou Paulo Sá.
