
O atleta com o capacete em questão
Foto: Odd Andersen / AFP
O atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych foi, esta quinta-feira, banido dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina2026 por recusar usar outro capacete que não o seu, que honrava atletas mortos na guerra com a Rússia.
A presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, reuniu-se com Heraskevych, cerca de uma hora antes do início da prova de "skeleton", já no topo da pista desta modalidade sobre o gelo, mas sem sucesso no seu pedido de um capacete mais neutral.
"É difícil dizer ou usar palavras. É um vazio", afirmou o atleta, enquanto esperava pelo seu recurso para a Federação Internacional de Bobsled e Skeleton, acrescentando que iria também apelar ao Tribunal Arbitral do Desporto (CAS).
O capacete em causa tem pintadas as caras de mais de 20 atletas e treinadores ucranianos que morreram durante a invasão e ofensiva militar da Federação Russa, desde 24 de fevereiro de 2022.
O COI tinha anunciado que aquela peça de equipamento não seria permitida, justificando-o com a regra que proíbe posicionamentos ou declarações de teor politico nas competições olímpicas.
Para Heraskevych, o capacete "não viola qualquer regra do COI", instituição que já tinha repreendido o mesmo atleta nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim2022 por ter empunhado um cartaz com a frase que pedia o fim da guerra na Ucrânia, tendo a instituição que superintende os certames olímpicos concluído tratar-se apenas de um apelo à paz.
"Vergonhoso"
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, classificou como vergonha para o Comité Olímpico Internacional (COI) a desclassificação do atleta ucraniano. "O COI não apenas desqualificou o atleta ucraniano, como também manchou a sua própria reputação. As gerações futuras vão-se lembrar deste momento como vergonhoso", escreveu Andriy Sybiga nas redes sociais.
