Autoridade antiviolência no desporto já abriu 181 processos por racismo

O momento do alegado insulto de Prestianni a Vinícius Júnior
Foto: AFP
A Autoridade de Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD) já registou 181 processos relacionados com racismo desde 2019, quando iniciou a atividade, segundo dados a que o JN teve acesso, tendo como base o comportamento incorreto dos adeptos em recinto desportivo. Em função da gravidade, 40 deles resultaram em decisão de interdição, o que representa 20,9%, enquanto 65 casos (35,9%) foram entregues ao Ministério Público, 37 (20,4%) encontram-se em fase de instrução e 39 (21,5%) acabaram por ser arquivados.
A maior parte destes casos é feita a partir dos autos de notícia das forças de segurança (PSP e GNR) e por denúncias ou fontes abertas, ou seja, através de conteúdos partilhados nas redes sociais ou notícias difundidas pela comunicação social. A prevenção e o combate ao racismo resultam ainda de uma ação coordenada entre várias entidades, entre as quais estão os tribunais, as federações, a Liga e o IPDJ (Instituto do Desporto e Juventude) para que a malha seja mais apertada. "No que respeita às medidas de interdição de acesso a recintos desportivos em casos de racismo dirigido a jogadores, importa referir que estas assumem um efeito dissuasor relevante, na medida em que traduzem consequências concretas e imediatas para comportamentos discriminatórios. Para além do efeito individual, impedindo o infrator de voltar a aceder a espetáculos desportivos durante determinado período, contribuem para reforçar a perceção de responsabilização e de pronta intervenção institucional face a manifestações de racismo", explicou, ao JN, a APCVD, referindo-se às 40 interdições processadas.
