
"O herói morreu na pista da morte", foi a manchete do JN
D.R.
O primeiro dia de maio de 1994 trouxe a trágica notícia do falecimento de Ayrton Senna durante o Grande Prémio de São Marino, disputado no circuito de Imola, em Itália. Na edição de dia 2, como não podia deixar de ser, o "Jornal de Notícias" deu enorme destaque a um acontecimento que marcou para sempre a Fórmula 1 e o desporto em geral, titulando na primeira página que "o herói morreu na pista da morte" e que "todo o Brasil chorou o desaparecimento de Senna".
O lendário piloto brasileiro, de 34 anos, tricampeão mundial de F1, não resistiu aos ferimentos provocados por um violento acidente na famosa curva Tamburello, quando o Williams Renault que conduzia seguia a cerca de 270 quilómetros por hora.
Nas páginas interiores, o JN detalhou os pormenores da tragédia, com enfoque nas fracas condições de segurança da pista de Imola e nas reações em choque de todo o Mundo, sobretudo do povo brasileiro. "A morte ganhou na roleta de Imola", foi um dos títulos escolhidos, enquanto nos textos seguintes se lembrava que, alguns anos antes, Nelson Piquet, outro grande piloto canarinho, rival de Ayrton Senna, tinha estado igualmente com a vida em risco devido a um acidente no mesmo local do circuito. De resto, na véspera da morte de Senna, também o austríaco Roland Ratzenberger sofrera um acidente fatal na segunda sessão de treinos cronometrados para o Grande Prémio de São Marino, espécie de prenúncio para o que viria a acontecer ao brasileiro.
Num texto acompanhado de duas fotografias de Ayrton Senna antes da corrida, foram descritas as horas que se seguiram ao fatídico despiste, com pormenores de tudo o que se passou no Hospital de Bolonha, onde a morte do piloto foi confirmada às 18.40 horas locais, perante a consternação geral.
Antes, a esperança de que Senna se pudesse salvar era já muito ténue, devido à gravidade dos ferimentos sofridos na cabeça.
"De acordo com os médicos do serviço de reanimação, Senna apresentava fraturas múltiplas na base do crânio, além de um edema e de uma hemorragia que ainda conseguiu ser estancada. A quantidade de lesões cerebrais impediu, segundo os médicos, uma intervenção cirúrgica imediata", escreveu o JN, que lembrou a "carreira fabulosa" do piloto natural de São Paulo, construída "sempre nos limites", destacando numa peça de reportagem feita pelo correspondente no Rio de Janeiro que "milhões de brasileiros ficaram em estado de choque" com a notícia da morte de Ayrton Senna.

