
Fary Faye, presidente da SAD boavisteira
Foto: Arquivo
Fary Faye explica ao JN como o plantel vai ser construído, em parceria com o acionista Gérard López. Descida à Liga 2 “implica redução de custos”.
O adepto mais velho lembra-se do Boavistão, do caldeirão do Bessa e de uma pantera de garra afiada que há 24 anos desafiou os pergaminhos do futebol português e sagrou-se campeã nacional. O mais jovem vive das histórias que lhe contam do passado, bem diferentes da realidade atual de um clube que foi perdendo fulgor e no último fim de semana desceu, desportivamente, ao segundo escalão pela primeira vez em 65 anos – em 2008 foi despromovido pela via administrativa. Com 13 troféus nacionais, só fica atrás do Benfica, F. C. Porto e Sporting em termos de palmarés.
Em declarações ao JN, Fary Faye, presidente da SAD boavisteira, admite que “a realidade mudou e exige decisões inteligentes” para que a equipa volte à Liga. Essas decisões, segundo explica, passa por dar continuidade à “reorganização financeira e estrutural” da sociedade desportiva, com o PER (Plano Especial de Revitalização) em curso, e manter o reforço do “projeto de sustentabilidade financeira”. “Implica, inevitavelmente, uma redução de custos, de forma a garantir o cumprimento das nossas obrigações”, confessa. “Neste momento, o foco está bem definido e passa por garantir, o mais rapidamente possível, o regresso à Liga, que é o lugar onde o Boavista pertence por mérito e história”, sublinha.
Fary Faye conta ainda que a SAD “manteve os salários do plantel sempre em dia” ao logo da temporada: “Encerrámos a época com a situação de todos os funcionários da SAD igualmente regularizada. O rigor financeiro vai continuar a ser uma prioridade deste Conselho de Administração”. No mesmo plano, sublinha que “Gérard López não é um investidor da SAD, é o acionista maioritário, e o Conselho de Administração mantém um contacto permanente” com o empresário, “sendo que todas as decisões estratégicas passam, naturalmente, por ele”: “Estamos a trabalhar em conjunto e com uma grande proximidade em vários dossiês, entre os quais, por exemplo, a construção do plantel para a próxima época”.
O técnico Stuart Baxter tem contrato por mais um ano e o presidente apelida-o de “um excelente treinador e um bom líder”. Em relação à continuidade do escocês, de 71 anos, diz estar a “avaliar qual será o melhor caminho”. O plantel tem apenas 13 jogadores com contrato, a maioria deles muito jovem, mas o presidente da SAD garante que há “a possibilidade de renovar com alguns que findam o vínculo”, deixando a ressalva que os axadrezados serão “criteriosos e realistas nas decisões, apostando em jogadores que se enquadrem na realidade” e nas exigências da Liga 2. Por isso, o objetivo é construir um plantel “competitivo e financeiramente sustentável”.
Mas há ainda uma questão a contornar, até porque o Boavista tem um impedimento na FIFA, datado de 20 de março, o último a ser do domínio público, depois de outros que impediram a SAD de inscrever jogadores e construir um plantel competitivo.
