
António Salvador, presidente do Braga, lidera a comitiva minhota na Escócia
Braga
Fé braguista desafia poderio protestante. Equipa minhota enfrenta a primeira casa cheia na UEFA, mas vitória na "pedreira" dá ânimo para seguir em frente.
Em plena Semana Santa, os guerreiros do Minho, que tão bem têm representado a Cidade dos Arcebispos nesta edição da Liga Europa, têm hoje um teste de fogo frente ao Rangers, conhecido pela exuberância dos adeptos e a faceta protestante. Porém, mais do que uma questão de fé, a vencer por 1-0 no "intervalo" dos quartos de final, a equipa minhota vai entrar em vantagem no Ibrox na decisão da eliminatória e Carlos Carvalhal, embora espere um jogo difícil, acredita no apuramento.
"O objetivo principal é tentar vencer. Não vimos para aqui defender nada. Vamo-nos atirar ao jogo", disse o treinador do Braga, na antevisão do desafio.
A meio dos quartos de final e no 12.º segundo jogo europeu da época, o Braga viverá uma experiência inédita na Liga Europa, enfrentando a primeira casa cheia. Até aqui, o ambiente mais adverso que os guerreiros encararam foi em Belgrado, com o Estrela Vermelha, na fase de grupos, com quase 25 mil pessoas (meia casa) nas bancadas. Mesmo se se fizer a soma do público que assistiu a todos os jogos europeus do Braga na condição de visitante dá cerca de 43 mil adeptos, abaixo dos quase 50 mil que se esperam esta noite no Ibrox. Do conjunto minhoto estima-se a presença de meio milhar de apoiantes, 150 dos quais viajaram no avião que trouxe a equipa. Um apoio a ter em conta, sabendo-se, todavia, que será difícil calar a atmosfera, em torno dos protestantes. "Espera-nos uma atmosfera difícil, mas preparamos os jogadores para estarem focados na tarefa. É isto que queremos. Agarrar a oportunidade com tudo e viver o ambiente no sentido positivo. O jogo está dentro das quatro linhas", frisou Carlos Carvalhal.
"O Rangers tem muitos pontos fortes e alguns fracos. Se o jogo fosse com o Manchester City diria o mesmo", realçou o treinador do Braga, garantindo que "não será por falta de coragem que não seguiremos em frente".
Também presente na antevisão, Abel Ruiz, autor do golo da vitória no jogo da primeira mão, admitiu a importância do desafio. "A equipa está com muita confiança. Vamos dar tudo", disse, enquanto prometia que procurará manter a veia goleadora: "Sou avançado e tento ajudar com golos".
Entrevista ao treinador Micael Sequeira
O mais difícil é eliminar o Rangers
Há dois anos, era o treinador "oficial", quando o Braga jogou no Ibrox, dado que Ruben Amorim não tinha as habilitações exigidas. Que recordações tem desse jogo?
Não são boas. Estávamos a vencer por 2-0, a jogar bem e o Palhinha falhou o 3-0. Eles reduziram numa infelicidade nossa, agigantaram-se e, com o apoio do público, deram a volta. Foi doloroso.
Foi a inexperiência do técnico que ditou a derrota?
O Ruben não acusou inexperiência. Já estava bem preparado, delineou bem a tática e a equipa estava a cumprir, mas de repente tudo mudou. A eliminatória ficou em aberto, mas o jogo da segunda mão não nos correu bem, sofremos um golo e não reagimos.
Desta vez, o Braga está em vantagem. Pode passar?
Claro e isso seria fantástico. O Rangers é difícil, mas, mesmo com o público a favor, o jogo não é no inverno e o relvado não deve estar tão pesado, como em 2020. O Braga tem uma equipa jovem, mas que tem correspondido e sinto que Carlos Carvalhal vai montar a melhor estratégia para selar o apuramento.
O Braga pode vencer a Liga Europa?
Para já, pode passar e depois, nas meias-finais, tudo é possível. Do que se sabe dos possíveis adversários [Atalanta ou Leipzig], arrisco a dizer que o mais difícil é eliminar o Rangers.
