
Coleman foi titular no último jogo contra Portugal, em setembro
CARLOS COSTA / AFP
Seamus Coleman é hoje uma das figuras históricas no Everton, pelos 13 anos em que está no clube de Liverpool. Tem uma história de vida peculiar, pelo começo no futebol gaélico e pela grave lesão sofrida em 2017. O JN conta-lhe o passado do jogador que vai enfrentar Portugal
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É dono da lateral direita do Everton há vários anos, mas a vocação de Seamus Coleman, de 33 anos, nem sempre foi o futebol (pelo menos o que pratica agora). O irlandês, adversário de Portugal no jogo de qualificação para o Mundial 2022, deu os primeiros passos no desporto ao jogar futebol gaélico, uma espécie de mistura de futebol com râguebi. Nos primeiros 17 anos dedicou a vida a esta modalidade, não tendo feito a formação habitual que um futebolista faz.
https://youtu.be/3EO__L-Z08Y
Depois, Coleman passou para o futebol tradicional. Jogava numa equipa amadora que enfrentou o Sligo Rovers. A formação irlandesa ficou convencida das capacidades do jogador e ofereceu-lhe um contrato de 150 euros por semana. "Pensei em dar uma oportunidade, caso corresse mal podia sempre voltar ao futebol gaélico. Mas nunca mais olhei para trás para ser sincero, tem sido uma aventura inacreditável", disse ao The Guardian.
Chegou ao Everton em 2008 vindo do Sligo Rovers, da República da Irlanda, por apenas 60 mil libras (cerca de 70 mil euros), valor simbólico tendo em conta a importância que ganhou no clube de Liverpool. A sua estreia aconteceu em 2009, no Estádio da Luz frente ao Benfica, em que o Everton foi derrotado por 5-0, mas este encontro serviu de introspeção para aquilo que, na altura, tinha a melhorar, face à pouca experiência que possuía.
O início da carreira futebolística esteve ameaçado por uma simples bolha. "Fomos para a pré-época nos Estados Unidos e eu tinha uma bolha no pé, mas quando aterrámos ela estava infetada. Tive de ser operado e os médicos disseram-me que podiam ter-me amputado o dedo. É surreal, era apenas uma bolha", revelou, em declarações à mesma publicação.
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Coleman começou a competir pela equipa B na primeira época, em 2008/09, e teve uma passagem, por empréstimo, pelo Blackpool no ano seguinte. Na temporada 2010/11 agarrou o lugar como defesa direito e nunca mais o perdeu. Até hoje, destacou-se por ser seguro defensivamente, com altos níveis de concentração, e eficaz ofensivamente, com constantes subidas e cruzamentos precisos para os avançados.
Proveniente do condado de Donegal, na República da Irlanda, subiu a pique até tornar-se referência de um grande clube numa das maiores ligas europeias: a Premier League. Até ao momento, os 358 jogos que tem pelo Everton fazem do irlandês o sétimo jogador com mais participações pela formação de Merseyside e agora capitão de equipa.
Em março 2017, passou pelo pior episódio da sua carreira, mas aquele que também demonstra o seu espírito lutador. No encontro de qualificação para o Mundial 2018, frente ao País de Gales, o lateral direito partiu a perna após ter sofrido uma entrada violenta de Neil Taylor, que levou cartão vermelho direto.
https://youtu.be/SolqYAdk2Dk
Esteve cerca de 10 meses em recuperação e voltou à competição pelo clube em janeiro de 2018. Foram períodos difíceis, mas a capacidade de superação de Coleman foi maior que qualquer adversidade.
Dentro de campo, é uma personalidade forte, que não deixa nada por dizer. Na vitória por 3-1 frente ao Burnley, esta época, Richarlison foi defendido pelo capitão, após estar a ser alvo de uma discussão com os adversários. Jack Wilshere recordou um episódio de pré-época com Coleman, que representa a entrega do jogador do Everton: "Na China estavam 40 graus e eu estive sempre a 'picá-lo' durante o jogo até que ele se revoltou. Começou a gritar que eu era sobrevalorizado e perseguiu-me até ao túnel, tive de fugir", disse o antigo jogador do Arsenal ao TalkSport.
Do futebol gaélico ao confronto com Portugal, Seamus Coleman deverá ser titular pela República da Irlanda, no encontro de quinta-feira frente à seleção nacional, de qualificação para o Mundial 2022.
