Conselho de Justiça da Federação renuncia quase dois anos depois de assumir funções em "situação excepcional"
Os membros do Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) renunciaram ao cargo quase dois anos depois de o terem assumido numa situação excepcional.
O elenco, liderado pelo juiz conselheiro jubilado Joaquim Sousa Dinis, assumiu o CJ a 18 de Outubro de 2008, depois de o órgão ter caído, por falta de quórum, na sequência de divergências internas quando decidia recursos do processo do Apito Final.
O órgão tinha ficado "ferido" a 29 de Agosto de 2008, com a demissão de quatro conselheiros, depois de o presidente Gonçalves Pereira ter entrado em "guerra" com os restantes membros, que, contra a sua opinião, mantiveram os castigos aplicados pela Liga a Boavista e FC Porto.
Numa reunião de 04 de Julho, o CJ analisou os recursos do presidente do FC Porto e do Boavista no âmbito do processo Apito Final, mas a reunião decorreu de forma atribulada e terminou com a suspensão preventiva de Gonçalves Pereira.
Na ausência do presidente e vice-presidente, já a 05 de Julho, o CJ decidiu não dar provimento aos recursos e confirmou a descida de divisão do Boavista, por coação sobre árbitros, e a suspensão de dois anos a Pinto da Costa, por tentativa de corrupção. Estes castigos tinham sido decididos em primeira instância pela Comissão Disciplinar da Liga de clubes.
Com um vazio no órgão, o presidente da FPF apelou "à normalidade", mas teve que esperar por eleições intercalares, em Outubro de 2008, para ver reposta a funcionalidade do CJ.
" frente do órgão ficou Sousa Dinis, líder de uma lista única que recebeu 427 votos a favor e 62 brancos.
A lista integrava também os juízes conselheiros jubilados Dionísio Alves Correia (vice-presidente), António de Sousa Lamas, António Teixeira do Carmo, José Sarmento Botelho, a procuradora da República jubilada Dulce do Couto Ferreira e a assistente universitária e mestre em Direito Público Alexandra Pessanha.
Madail disse ter "toda a confiança nas capacidades" de Sousa Dinis, enquanto o juiz conselheiro lembrou que este CJ "não era formado dentro do cânones habituais" e, como era uma "situação de excepção", a "solução teria de ser excepcional".
Entre as decisões mais quentes do CJ estão os casos "Hulk e Sapunaru" e "Carlos Queiroz", nas quais o órgão decidiu de forma diferente da primeira instância.
No recurso dos futebolistas do FC Porto, o CJ revogou a decisão da Comissão Disciplinar da Liga, que suspendera Sapunaru e Hulk por seis e quatro meses, por agressões a "stewards" no túnel do estádio da Luz. O CJ reduziu as penas para quatro e três jogos de suspensão, respectivamente.
Em relação a Carlos Queiroz, o CJ decidiu "julgar extinta a responsabilidade disciplinar" do anterior seleccionador nacional, por considerar que o procedimento disciplinar tinha prescrito.
A 19 de Agosto, Queiroz tinha sido condenado pelo CD da FPF a um mês de suspensão e uma multa de mil euros, devido a insultos a uma equipa do ADoP que se deslocou à Covilhã para um controlo antidoping aos jogadores da selecção portuguesa de futebol.
