
Eder remata para o golo que derrotou a França e deu o título europeu a Portugal
Gerardo Santos / Global Imagens
Tenho um amigo. Atenção, tenho mais. Só que este em particular teima comigo no esgrimir de argumentos sobre a rubrica sonhadora ‘quem querias ser no mundo da bola?’. Invariavelmente, respondo Eder. Desde 2016, claro.
E ele troça de mim. Muito. Às vezes, muuuuuuito. Ele é mais bolas de ouro, botas de ouro e outros que tais. Eu sou Eder. Quer dizer, o golo decisivo de Portugal na final do Euro 2016 preenche todos os sonhos possíveis e imagináveis, vale todos os prémios individuais do mundo. O golo libertador e, ao mesmo tempo, o da consagração. Eder, o herói impossível.
No Mundial 2014, o homem é maltratado a torto e a direito. Sempre que vou de táxi ou autocarro, seja Rio, São Paulo ou Belo Horizonte, o tema da conversa é o cara da camisa 11 de Portugal. “Qué aquilo”, perguntam-me. E acrescentam o termo horrííííííííível (assim mesmo, com muitos is). No Euro 2016, a história repete-se. Há bocas foleiras para aqui e para ali. De repente, Eder engata. E de que maneira. Além de ganhar cinco faltas no meio-campo da França, é dele o solitário golo num remate de longe, com toda a sua convicção (inversamente paralela ao descrédito ao longo dos anos). Lloris estica-se, em vão. O 1-0 é nosso, cortesia Eder. O maior.
Passam-se dois anos e ninguém mais ouve falar de Eder. Pelos bons motivos, digo. Uma época mais no Lille e é afastado da equipa principal durante a pré-época numa limpeza de balneário a que está associado o nome do novo treinador, Marcelo Bielsa. De repente, Eder em Moscovo a assinar pelo Lokomotiv. A uma jornada do fim, a questão do título está à distância de uma vitória, ainda por cima vs. Zenit, crónico campeão russo. O grito está entalado na garganta desde 2004 e quem o solta é Eder. Óbvio. Entra aos 79 minutos, marca aos 87. Um simples toque de bola na área implica uma infinita alegria para o Lokomotiv. Mais uma vez, o (meu) herói é Eder.

