
Luciano Gonçalves alertou para os casos de violência com árbitros
Amin Chaar/ Global Imagens
Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), revelou que durante esta época registaram-se 26 agressões a árbitros, um número que considera "uma vergonha". O dirigente defende novas formas de punição para ajudar a combater este flagelo.
O líder da APAF foi um dos oradores do seminário "Estádio de Sítio" promovido pela Polícia de Segurança Pública, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, e abordou várias questões relacionadas com a violência no desporto, nomeadamente com os árbitros. Luciano Gonçalves revelou números chocantes.
"Nas últimas quatro temporadas houve 78 agressões a árbitros, 60% das quais realizadas por pais de atletas. Só esta época já houve 26 agressões e estes números são uma vergonha", começou por explicar o dirigente.
Além de revelar que muitos dos jovens árbitros desistem de exercer funções após os primeiros jogos, devido a falta de segurança nos recintos desportivos, Luciano Gonçalves defende que "no futebol reina um sentimento de impunidade".
Para ajudar a mitigar estes acontecimentos, a APAF acredita que a solução passa pelo aumento das penas para os agressores e pela celeridade da Justiça. O presidente do organismo que rege a atividade relacionada com a arbitragem apresentou ainda soluções inovadoras para combater o problema.
"A atribuição de perda de pontos, em resposta a estas situações de violência, poderiam incentivar os clubes a tomarem outro tipo de medidas para ajudar a minimizar este tipo de casos. Interditar certos setores dos estádios também pode ser uma medida a ser considerada, uma vez que os locais onde estão os adeptos mais problemáticos não têm as mesmas condições que os outros setores", explica Luciano Gonçalves que, sabe o JN, planeia sugerir a perda de pontos, em casos de violência no desporto, como uma alteração ao regulamento disciplinar da Liga, no que respeita a punições.
PSP quer agravamento das punições para combater violência no desporto
O diretor nacional da PSP, o superintendente-chefe Manuel Magina da Silva, considerou que o agravamento das medidas punitivas, para quem comete atos de violência associados ao desporto, é o caminho para combater este problema.
Entre as medidas punitivas, o responsável da PSP destacou o impedimento de frequentar os recintos desportivos aos infratores, que "aumentou mais de 20 vezes num ano", registando-se, até ao momento, 315 adeptos interditados de frequentar estádios.
Magina da Silva destacou ainda que este fenómeno não se verifica apenas no futebol profissional, mas também no distrital e nas camadas jovens, tendo sido registado, da época de 2018/19 para a de 2021/22 "uma duplicação de ocorrências".
Além desta questão, ficou-se a saber que o número de incidentes de violência no desporto em jogos das competições europeias, realizados em Portugal, é muito superior aos incidentes registados em competições nacionais. "O número de incidentes, em jogos das competições europeias, já suplantou o número de casos do ano passado, de 330 para 533, numa análise feita apenas até ao mês de fevereiro. Ou seja, até ao final desta temporada. o total de 2021/22 pode ser duplicado, uma vez que vamos entrar na fase das decisões, o que acarreta outro tipo de emoções nos adeptos", revelou o comissário Ricardo Conceição, acrescentando ainda que "uma maior ação de prevenção e fiscalização por parte das forças policiais também aumenta o número de casos registados".

