Farioli e o caso Prestianni: "É muito triste ainda sermos julgados pela cor da pele em 2026"

Francesco Farioli fez a antevisão do duelo com o Rio Ave
Foto: Miguel Pereira
O treinador do F. C. Porto abordou a polémica entre Prestianni e Vinícius Júnior, no Benfica-Real Madrid da Champions, e, sem se referir especificamente ao caso, Farioli deixou uma reflexão. Sobre o duelo deste domingo com o Rio Ave, uma certeza: "As camisolas não ganham jogos".
"Nestes dias ouvimos muitos comentários e análises de muitos colegas. Tornou-se um caso internacional e não estou aqui para dar qualquer tipo de lição. Trabalhei em seis países diferentes, cinco estrangeiros, e sei bem a diferença quando se é bem-vindo a um sítio ou não. Temos sete passaportes diferentes na equipa técnica e sou muito aberto à diversidade, porque acho que é uma oportunidade de aprendermos e sermos melhores. A minha filha anda numa escola internacional e isso é bom para conhecer novas culturas. É muito triste ainda sermos julgados pela cor da pele ou pela religião em 2026. Coincidência ou não, apareceu um vídeo feito há mais de 35 anos, que até apresentei tese na universidade, que é um monólogo do Carl Sagan e nos dá ideia da humildade que devemos ter e como não faz sentido não aproveitarmos o pouco tempo que temos neste planeta", afirmou Farioli, já depois de mostrar respeito pelo adversário deste domingo, o Rio Ave.
"Já tivemos uma má experiência ao defrontar uma equipa que também não estava num bom momento, o Casa Pia. Temos de ter isso em atenção e encarar o jogo com a máxima intensidade. O Rio Ave mudou frente ao Moreirense e pode fazer o mesmo, mudando de três para quatro defesas, mas o importante é a nossa atitude e mentalidade. Preparamo-nos muito bem", garantiu o técnico italiano, recusando a ideia de se tratar de um jogo fácil.
"Não fazemos esses cálculos. Não são as camisolas que ganham os jogos. Começa 0-0, o adversário preparou-se e nós também. Temos de mostrar vontade de ganhar", salientou, assumindo que Kiwior e Martim Fernandes não recuperam a tempo da partida.
Nove das 19 vitórias portistas no campeonato foram obtidas pela margem mínima e Farioli apresentou duas razões para esse facto: "É verdade em que alguns momentos podíamos produzir mais, mas todos os adversários mostram muito respeito e continuam conservadores mesmo depois de marcarmos. Numa análise mais profunda tem a ver com a capacidade de ler o momento. Temos de atacar com fogo e defender com espírito e energia, sabendo que o calendário não nos dá muito tempo e espaço".
Sem contar com Samu e Luuk de Jong até ao final da época, devido a lesão, Farioli assumiu que Deniz Gul "ainda está um passo à frente" do reforço Terem Moffi na luta pela titularidade.
"Não há muitos segredos. Para o Terem foi importante ter estas semanas para trabalhar no duro e os níveis físicos estão muito perto de um atleta de elite. O Deniz está um passo à frente em termos de condição e conhecimento, mas o Terem está a chegar lá. Precisamos dos dois, porque ficar sem Samu e Luuk durante tanto tempo era quase impossível prever. Tinha dito ao clube que nos devíamos preparar para o pior cenário e, infelizmente, foi o que aconteceu. Temos dois bons avançados e vão ser muito importantes, como lhes disse numa conversa que tivemos", relevou.

