
O treinador do F. C. Porto, Francesco Farioli
Foto: Pedro Correia
O treinador do F. C. Porto, Francesco Farioli, diz que as polémicas que se seguiram ao clássico com o Sporting fazem parte do passado e sublinha: "o futuro é o Nacional".
Na antevisão do jogo de domingo na Choupana, Francesco Farioli foi questionado sobre os temas que marcaram os dias seguintes ao clássico com o Sporting e criticou o facto de se falar pouco de futebol.
"Estamos sempre a falar do que falta e nem sempre vejo comentários sobre o que estes rapazes estão a fazer. Apanha-bolas? As autoridades estão a verificar o que têm de verificar. Encontramos sempre razões para desviar as atenções dos jogos, de quando a bola começa a rolar em campo, do futebol e do que acontece. Para mim, o mais importante é qye temos de estar muito satisfeitos no ponto em que estamos, com uma equipa que, até agora, está imbatível perante os dois principais rivais, sofrendo apenas dois golos, um de penálti, no último minuto, e outro na própria baliza. Há muitas coisas boas das quais, por vezes, temos de falar mais", disse o técnico portista, sem comentários sobre as afirmações de Rui Borges, segundo o qual o clássico foi um "regresso ao século passado".
"Todo o ruído e a polémica que tentam construir não afetam a dinâmica do grupo. O grupo está muito motivado. Claro que não conseguimos o resultado que queríamos [contra o Sporting], mas fizemos uma boa exibição. Claro que toda a gente olha para o jogo com os seus óculos e perspetivas. Penso que merecíamos ganhar e, depois de analisar a frio, repito-o. Foi muito claro o desejo que tínhamos de vencer. Se defendemos mais baixo no fim, foi porque jogámos contra uma equipa de topo. Jogámos com a mentalidade certa e a exibição foi muito positiva. Sem o resultado que queríamos, claro. Mas a realidade é que, devido ao vosso trabalho, a atenção ainda está no passado. O nosso futuro é o Nacional", acrescentou, admitindo que o balneário ficou "em choque" com a lesão de Samu, que o vai afastar dos relvados até ao final da época.
"Os últimos dias foram muito difíceis para todos nós. Recebi muitas mensagens de pessoas de outros clubes a perguntar pela situação dele. Mas é um homem forte. No dia a seguir esteve connosco aqui com um grande sorriso, sempre preocupado com a equipa. Claro que a conversa que tive com ele fica privada, mas aquilo que ele me disse e que disse aos companheiros diz muito sobre ele. A única coisa que podemos fazer é estar com ele, desejar-lhe uma ótima recuperação, e claro que vai conseguir transformar este momento difícil em força para recuperar. Tem qualidades futebolísticas, humanas e vai ser ainda melhor a partir de hoje", afirmou Farioli, assumindo que Deniz Gul vai assumir o lugar do internacional espanhol.
"Perdemos um jogador-chave, claro, mas acho que já mostrei que tenho confiança nas qualidades do Deniz. É uma grande oportunidade para ele. Já mostrou que é capaz de desempenhar a função, é um 'monstro' fisicamente e agora só tem de encontrar a continuidade. Tem o apoio de toda a gente no clube e espero ouvir muitas vezes a música dele, da qual gosto muito", sublinhou, revelando que não conta com Martim Fernandes para a partida na Madeira, diante de um adversário que já causou dificuldades ao F. C. Porto.
"Vamos defrontar uma equipa que, no primeiro jogo, nos complicou a vida. Fez um jogo muito sólido no Dragão. Agora, vamos lá, e é sempre uma dificuldade acrescida. Cabe-nos estar muito fortes, como sempre, com uma ótima atitude, para recomeçar a escalar. Se a abordagem muda por podermos estar três jogos seguidos sem vencer? Vamos jogo a jogo. Espero que sejamos capazes de conseguir os resultados que queremos. Mas vamos enfrentar alguns desafios. A viagem, o relvado... Pela maneira como o Nacional joga e tendo em conta a qualidade que têm na frente, são uma equipa perigosa para qualquer equipa", referiu, com elogios para os reforços Fofana e Moffi, que fazem parte dos planos para o duelo com o Nacional.
Em relação a Francisco Moura, que não pode jogar na Choupana por castigo, e às críticas que o lateral recebeu pelo penálti cometido frente ao Sporting, o treinador dos dragões foi claro: "O que aconteceu no último minuto é um erro claro, não há nada a esconder, mas há coisas que acontecem quando jogas futebol. Há três ou quatro semanas estávamos aqui a falar dos dois penáltis desperdiçados pelo Samu. Quanto ao Francisco, é um erro que ele não queria cometer e não há nada por que matar pessoas. Outro problema é que, muitas vezes, ultrapassamos os limites, e isso chega à parte humana. O Francisco treinou bem, esta semana. Infelizmente, amanhã, não vai estar connosco, devido à suspensão. Depois, quando voltar, será de cabeça fresca, pronto para ajudar, como fez até agora".

