
Fernando Mamede destacou-se no Sporting
Foto: Lusa
Fernando Mamede faleceu na terça-feira, aos 74 anos, vítima de problemas cardíacos. Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, recorda o antigo recordista mundial dos 10 mil metros e considera que se fosse hoje poderia ter almejado uma carreira ainda melhor com a ajuda de apoio psicológico.
Um dos melhores fundistas portugueses de sempre faleceu anteontem, aos 74 anos, deixando um legado de grandes êxitos como o recorde mundial dos 10 mil metros, marca (27.13.81 minutos) imbatível entre 1984 e 1989 e que o elevou à condição de ídolo internacional. Mas a carreira de Fernando Mamede também ficou marcada por problemas psicológicos que o abalaram nos momentos decisivos e impediram-no de conquistar medalhas olímpicas, sobretudo em Los Angeles 1984, quando desistiu na final e foi incapaz de superar o peso do favoritismo.
Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo e antigo colega do Sporting, recorda, ao JN, o lado mais reservado daquele que considera ser "um dos quatro atletas portugueses incomparáveis" da história do atletismo: "Ele, o Carlos Lopes, a Fernanda Ribeiro e a Rosa Mota. O Mamede foi um dos melhores do Mundo em todos os sentidos. Era uma pessoa alegre, mas tinha problemas psicológicos que hoje seriam ultrapassados".
Nas décadas de 1970 e 1980, os atletas apenas tinham o apoio do treinador, no caso dele do professor Moniz Pereira, enquanto agora existem equipas multidisciplinares compostas por psicólogos, nutricionistas e profissionais com outras valências: "Nós só tínhamos o nosso treinador e a mandar-nos correr para a frente. Se ele tivesse o apoio dos atletas de hoje seria um caso seríssimo. Lembro-me que antes das provas ficava nervoso, havia qualquer coisa dentro dele que o complicava. Mas era um excelente companheiro, um amigo, brincava muito e não gostava de treinar sozinho".
Quando terminou a carreira, Mamede afastou-se da ribalta e nos últimos tempos "pouco ou nada saía de casa", até sucumbir a problemas cardíacos. "Quando soubemos do seu estado de saúde no ano passado, a Federação de Atletismo forneceu-lhe todo o tipo de ajuda", sublinha Domingos Castro. O velório realiza-se hoje, a partir das 17 horas, no Edifício da Saudade de Carnide, em Lisboa. O funeral está marcado para as 13.30 horas de amanhã.
Entre 1968 e 1990, quando Fernando Mamede pisou as pistas de atletismo em várias especialistas ao serviço do Sporting e da seleção portuguesa, garantiu 27 recordes nacionais, o recorde mundial dos 10 mil metros (27.13.81 minutos), em Estocolmo (1984), na Suécia, três recordes europeus e 20 títulos nacionais. Conquistou ainda a medalha de bronze no Mundial de corta-mato, em Madrid (1981). Participou nos Jogos Olímpicos de 1972, 1976 e 1984.

