
Alexandre Pinto da Costa à entrada para a gala do Gaiense
Foto: André Rolo
Alexandre Pinto da Costa negou, esta segunda-feira, que esteja a negociar a venda do património desportivo que pertencia ao pai, Jorge Nuno Pinto da Costa, revelando que vai doar "graciosamente", e sem qualquer interesse financeiro, o espólio do antigo presidente ao museu do F. C. Porto que lhe tocar em herança.
"Nenhum dos meus representantes legais esteve, no passado, ou estará no presente, a negociar com o F. C. Porto o nome do meu pai para atribuir ao Museu do clube, o património ou espólio desportivo que ele tinha, com a finalidade de obter royalties, rendas, verbas ou proveitos. É totalmente falso e é mentira. Nunca ninguém poderia falar de algo que não é a minha vontade", revelou o filho mais velho do antigo presidente do F. C. Porto.
"Nesse sentido, queria aqui tornar pública a minha intenção: como herdeiro legítimo da parte do património do meu pai e após o apuramento e divisão legal, tudo o que diga respeito ao espólio desportivo, ao museu fabuloso que o meu pai tinha, onde guardava religiosamente todo e qualquer objeto que lhe foi dado ao longo das décadas em que esteve ao serviço de F. C. Porto, será doado por mim, graciosamente, ao F. C. Porto, sem ter qualquer interesse financeiro ou renda futura em troca", garantiu Alexandre Pinto da Costa, durante a cerimónio de entrega de prémios do jornal O Gaiense.
"É essa a minha vontade e tenho a certeza absoluta que ele ficaria contente com esta minha atitude. Nunca foi o dinheiro, nem os bens materiais, que me moveram no apoio que sempre dei ao meu pai nos momentos em que ele mais precisou de mim enquanto filho", realçou.
"Muito mal acompanhado nos últimos anos"
Alexandre Pinto da Costa abordou, ainda, o facto de ter estado mais afastado do pai durante os últimos anos de vida do antigo presidente dos dragões e não teve problemas em assumir que isso se deveu a algumas das pessoas que rodeavam Jorge Nuno Pinto da Costa.
"Não foi o dinheiro, nem os bens materiais, que me moveram nos desacordos que tive com o presidente do F. C. Porto. Foi por ele estar tão mal acompanhado nos últimos anos da sua presidência. Alertei-o, frontal e diretamente, para os perigos que corria por essas escolhas erradas e, posteriormente, de livre vontade, afastei-me do presidente, mas não do meu pai, pois desse estive sempre presente quando ele de mim necessitava. Afastei-me, isso sim, de toda e qualquer atividade do clube, desportiva e socialmente. Foi com a intenção de evitar o que, infelizmente, o tempo veio a comprovar, para que não saísse do modo que saiu da instituição pela qual tudo deu e que tanto amava", acusou.
"A ovação, estrondosa, que recebeu no Estádio do Dragão no dia após a derrota nas últimas eleições, bem como as cerimónias fúnebres de uma dimensão ímpar, apenas comprovam o amor, o reconhecimento e gratidão de todos perante quem tanto o fez pelo F. C. Porto. Infelizmente, não teve a aprovação da maioria [dos sócios] que viu nos pares que o acompanhavam características que não me atrevo a descrever. Quem ama de verdade alerta para o precipício. Quem ama de verdade não salta de mãos dadas com a sua paixão para o precipício. Foi isso que eu fiz", atirou.
"O meu pai foi reconhecido, de forma unânime, como o presidente dos presidentes, porque o era de facto. A sua memória, o seu raciocínio brilhante, a sua astúcia, a sua capacidade de trabalho, mas sobretudo o amor ao futebol no geral, e ao F. C. Porto em particular, serão lembrados para todos sempre.
Gostaria de terminar, mais uma vez, com um agradecimento a todos por esta merecida homenagem que é feita ao meu falecido pai. Parafraseando o meu saudoso pai, e desculpem a minha emoção mas um pai é um pai, despeço-me de todos vós com esta frase, tantas vezes por ele dita, em forma de presságio: Largos dias têm cem anos", finalizou Alexandre Pinto da Costa.

