Frederico Varandas sobre Pinto da Costa: "Seria hipocrisia mudar o que penso apenas porque morreu"

Frederico Varandas, presidente do Sporting
Foto: Álvaro Isidoro
Frederico Varandas, presidente do Sporting, abordou, em entrevista à Sporting TV, a ausência de uma nota do clube sobre a morte de Pinto da Costa. O dirigente falou, ainda, do elevado número de lesões e do pequeno investimento em janeiro.
O Sporting não emitiu qualquer nota de pesar pela morte de Pinto da Costa. Sobre o assunto, Frederico Varandas começou por dizer que se tratou de uma questão "institucional" e que "não se deve misturar questões pessoais com institucionais". "O nosso silêncio foi institucional, não teve nada a ver com o presidente do Sporting".
No entanto, justificou. "O Sporting não se identifica com alguém que em vida prejudicou a indústria do futebol e não representa os valores do Sporting. Seria hipocrisia da minha parte mudar o que penso desse senhor apenas porque ele morreu. Bem sei que há pessoas que têm a coluna vertebral flexível para se dar bem com Deus e com o Diabo, mas eu nunca tive".
Frederico Varandas abordou a questão das lesões, que muito têm assolado o Sporting esta temporada. "Começámos em novembro com uma vaga de três, quatro lesões. Quando assim é temos dois problemas: não contamos com estes jogadores e, depois, os disponíveis não vão poder rodar como tínhamos previsto. Não há milagres, vão ser sobrecarregados e assim vamos ter novas lesões. Lesões trazem sempre mais lesões! Num ano em que mudou o modelo da Champions, fomos à final four da Taça da Liga, estamos em primeiro no campeonato, os jogadores são internacionais... tudo isto leva a uma situação muito complicada de gestão", disse.
O dirigente detalhou ainda como é a Unidade de Performance do Sporting. "Tem os melhores profissionais e nada falta do ponto de vista de aparelhos. Pertence à direção clínica, que faz toda a gestão das cargas. A equipa técnica quando recebe um jogador pronto para treinar, está pronto para jogar. Desde 2019 não houve um ruído, são os mesmos profissionais".
Sobre a questão da densidade do calendário, Varandas admite que o Sporting terá de dar menos importância a certas competições. "Vamos ter de abdicar de competições como a Taça da Liga... Sporting terá de a encarar de maneira diferente do ponto de vista competitivo. Champions são jogos onde queremos estar e os jogadores não são super-humanos".
O presidente do Sporting abordou a capacidade de investimento do Sporting em janeiro. "Não vendemos um titular e a SAD investiu cerca de 65 milhões de euros em jogadores que entraram este ano, desde início da época. Quem me dera ter a saúde financeira do Manchester City. Se o Gyokeres se lesionasse em dezembro, eu em janeiro não ia ter mais 20 milhões de euros para ir buscar outro avançado. Não há uma gaveta onde tiro fundos ilimitados. O esforço financeiro que fizemos em não vender titulares, investir 65 milhões de euros... não é por ter lesões que tenho mais capacidade de investimento", explicou Frederico Varandas.
Varandas não se arrepende da decisão de apontar João Pereira como treinador principal. "Seria muito difícil tomar uma decisão diferente, desde logo pela construção do plantel. Qualquer que fosse o treinador a vir depois do Ruben Amorim iria ser muito difícil, pela razão de dos jogadores não estarem recetivos a mudarem o que quer que seja naquela altura".
O líder do Sporting ainda abordou bastante a questão da arbitragem, mostrando descontentamento com algumas decisões apontadas ao clube de Alvalade. Para o futuro, Varandas pede "que marquem todos os penáltis" e exige coragem aos árbitros, não se deixando intimidar "por newsletters".
Frederico Varandas explicou que ficou um sentimento amargo com a eliminação da Champions. "O objetivo era chegar ao play-off e fizemos uma boa fase de grupos, onde amealhámos cerca de 50 milhões de euros. Defrontámos o atual vice campeão europeu, mas fica o sabor amargo de que, se tivessemos outras condições de competir, teríamos discutido a passagem".
Sobre o segundo jogo contra o Borussia Dortmund, Varandas não escondeu que o objetivo era gerir o esforço físico de jogadores. "Naquele momentos percebemos quantas batalhas podemos ir e quantos soldados temos. Tínhamos limitações muito grandes e não havia como dar mais minutos a jogadores sobrecarregados, pondo em risco o objetivo principal: o campeonato", sublinhou.
