Furar o bloqueio do San Siro para assistir ao jogo no meio do inimigo
UEFA interditou o estádio aos adeptos do Benfica, mas há quem tenha conseguido bilhetes.
A interdição do San Siro aos adeptos do Benfica foi um balde de água fria para aqueles que queriam assistir ao jogo da Liga dos Campeões no mítico recinto do Inter de Milão. No entanto, muitos portugueses vão furar o bloqueio imposto pela UEFA, misturados com simpatizantes italianos, numa ação arriscada e que pode desencadear pequenos focos de violência nas bancadas.
Paulo Costa é um exemplo dessa ousadia e já está em Itália, depois de ter viajado de Lisboa com um grupo de amigos, devidamente munido de um bilhete comprado numa plataforma digital por 45 euros. “Quis arriscar. Já imprimi o meu bilhete e tenho a entrada garantida. O setor onde vou estar é junto à claque do Inter, porque era o único em que não era necessário ser sócio para poder comprar”, disse Paulo Costa, ao JN, garantido que haverá mais adeptos no estádio nas mesmas circunstâncias, alguns deles até vindos do Porto.
Esta viagem a Milão custou-lhe 270 euros, já incluindo o preço do bilhete. Diz, entre sorrisos, que “os amigos vão pagar mais porque adiaram a decisão de ir a Itália” até à última da hora. Mas Paulo Costa terá de enfrentar vários desafios se ficar perto da claque Curva Nord, uma das mais radicais do Inter e que na época passada até colocou uma faixa no estádio a provocar os adeptos do F. C. Porto, no jogo dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Por isso, consciente do que terá pela frente, não irá correr riscos: “Não vou levar nenhum adereço do Benfica, acho que seria provocatório. E se for golo? Vou-me conter para não festejar, tenho de respeitar os adversários”.
Na época passada distúrbios ao minuto 60, quando simpatizantes do Benfica no topo do San Siro lançaram tochas a arder para as bancadas inferiores, onde estavam adeptos adversários, levaram a UEFA a impedir que o público do clube da Luz assistisse ao jogo de hoje. Curiosamente, Paulo Costa estava no estádio italiano e explica, ao JN, que cerca de 25 adeptos do Benfica, encapuçados e todos coordenados, receberam uma mensagem no “smartwatch” e acenderam várias tochas. “Atiraram-nas depois para as bancadas inferiores e atingiram pessoas inocentes, incluindo crianças. Eu vi”, recordou.
De acordo com a imprensa italiana são esperados 65 mil adeptos no estádio e, até ao momento, já foram vendidos 60 mil bilhetes, o que aponta para uma receita de três milhões de euros.
