
Holali Altivor foi excluída da seleção do Gana
Futebolista de 20 anos foi suspensa do estágio da seleção ganesa por ser hermafrodita, intersexualidade que os dirigentes federativos e a própria sociedade daquele país africano não toleram.
XY ou XX? Homem ou mulher? Nem uma coisa nem outra. Segundo a Federação Ganesa de Futebol, a futebolista em causa é XXY, de um "terceiro sexo". Vai daí, Holali Altivor foi excluída da seleção.
Holali sempre teve de proteger a anatomia intrínseca da devassa pública, mas não pôde resistir aos "testes de feminilidade" da Federação de Futebol do Gana, que não tolera a ambiguidade sexual ou morfológica, a intersexualidade, com se define o hermafroditismo.
Holali nasceu com genitais femininos, mas desenvolveu um pénis e órgãos reprodutores masculinos (testículos) internos, o que lhe fará triplicar os níveis de testosterona habituais numa mulher. Um caso idêntico ao da atleta sul-africana Caster Semenya.
Entre o preconceito e o melindre social, a mãe da futebolista acusa os dirigentes de discriminação sexista. Victor Altivor defendeu e filha e denunciou a decisão dos dirigentes da Federação aos microfones da Happy FM, uma rádio de Acra, capital do Gana: "Sim, é verdade, eles mandaram embora a minha filha porque ela tem dois órgãos sexuais. Quando a dei à luz, ela tinha uma vagina. Com o tempo, o pénis começou a crescer. Hoje, ela tem 20 anos e, durante toda a sua vida, sempre se sentiu como uma rapariga. Levei-a a muito sítios, para pedir ajuda, mas em vão. Ela insiste que é uma mulher e quer remover o pénis. Imploro aos ganeses que me ajudem, porque ela precisa de ser operada".
