
Fernando Mamede foi atleta do Sporting
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Fernando Mamede, recordista mundial dos 10 mil metros e ídolo de uma geração, morreu esta terça-feira, aos 74 anos. Símbolo do atletismo português não resistiu a complicações do foro cardíaco.
Um dos grandes nomes do atletismo nacional faleceu esta terça-feira, aos 74 anos, deixando um percurso marcado por muitos pontos altos, mas também por alguns momentos em que foi incapaz de corresponder às exigências. Entre 1984 e 1989, Fernando Mamede foi o detentor do recorde mundial dos 10 mil metros com o tempo de 27:13:81 minutos, numa prova disputada em Estocolmo, na Suécia, onde superou o compatriota Carlos Lopes, outro nome grande da modalidade a nível nacional.
Curiosamente, esse registo ainda é o segundo melhor de sempre do panorama nacional, atrás de António Pinto (27:12:47 minutos). Apesar de ter um enorme talento natural, o antigo corredor nunca atingiu os patamares que muitos traçaram como alcançáveis por ter dificuldade em ultrapassar barreiras psicológicas que o levavam a desistir em determinados momentos. Por isso, nunca carreira tão longa, iniciada em 1968 e finalizada em 1989, apenas garantiu uma medalha de bronze, em Madrid, em 1981, nos campeonatos mundiais de corta-mato.
"O Sporting manifesta o seu profundo pesar pela morte de Fernando Mamede, antigo atleta dos "leões" que faleceu esta terça-feira aos 74 anos", lê-se numa nota de pesar publicada pelo emblema de Alvalade, na qual destaca que o antigo atleta "contribuiu para várias conquistas coletivas do Sporting, sendo até hoje lembrado como uma lenda da modalidade".
Fernando Mamede, nascido a 1 de novembro de 1951, em Beja, correu várias especialidades e logo em 1970, quando apenas tinha 19 anos, bateu o recorde nacional dos 800 metros por mais de um segundo de diferença. Foi ainda campeão nacional de pista e de corta-mato, contabilizando 27 recordes nacionais, três europeus e 20 títulos nacionais como atleta do Sporting e da seleção nacional.
Mas curiosamente nunca se conseguiu afirmar nos Jogos Olímpicos. Em 1972, em Munique, era a grande esperança do atletismo português, mas foi eliminado na fase de qualificação nos 800 e 1500 metros e ainda na estafeta 4x400 metros. Dois anos depois é eliminado nos 800 metros e nos 1500 metros dos campeonatos da Europa por acusar em demasia a pressão do momento.
Nos Jogos Olímpicos de Montreal também acaba eliminado à primeira nos 800 metros. Nas meias finais dos 1500 metros faz o pior tempo da sua série nas meias-finais. No início da década de 1980 já era considerado um dos melhores corredores do mundo, conquistando vários meetings internacionais, mas continuava a desiluir nos Campeonatos do Mundo. Com o título de recordista mundial dos 10 mil metros no bolso, partiu para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 como um dos favoritos, ganhou a prova de qualificação, mas na final e quando se encontrava a meio da corrida desistiu, mais uma vez sucumbindo à pressão.
Em 1989 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Mérito. Esta terça-feira faleceu com complicações do foro cardíaco.
