
Nuno Gomes
Foto: Mário Vasa
Nuno Gomes,. candidato a vice-presidente e a administrador da SAD na lista de Noronha Lopes, ambiciona que o clube recupere a "fome de vencer" e abandone a gestão ao "sabor dos instintos de sobrevivência" dos últimos anos. O antigo avançado respondeu a quatro perguntas do JN. Lançamos o mesmo desafio a Humberto Coelho, que concorre a vice-presidente na lista de Rui Costa, mas só Nuno Gomes aceitou responder.
1. Quais são as mudanças a implementar para que o futebol volte a conquistar títulos?
O Benfica precisa de recuperar uma coisa simples: fome de vencer. Nos últimos anos temos vivido ao sabor de instintos de sobrevivência. Um clube como o Benfica não pode mudar de treinador todos os anos, nem contratar dezenas de jogadores por época e esperar que haja estabilidade. Não pode, acima de tudo, insistir nos mesmos erros e esperar resultados diferentes.
O nosso projeto é claro: dar estabilidade à estrutura do futebol, investir mais no scouting e reforçar a ligação entre a formação e a equipa principal. O Seixal tem de voltar a ser um pilar do Benfica, não apenas uma fábrica de vendas.
O Benfica tem de voltar a ser respeitado porque joga, planeia e decide melhor. Esse é o primeiro passo para voltar a ganhar com regularidade.
2. Que tipo de relação deve ter o Benfica com a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga e os rivais?
A nossa relação com os adversários é simples: ganhar mais do que ambos juntos. Quanto às relações com a FPF e Liga, o Benfica deve ter uma relação institucional, mas firme. Não é estar contra tudo, é estar presente: com voz, com peso e com independência.
O que temos visto é um Benfica ausente, que se cala nos momentos em que devia liderar. E o Benfica tem de estar nas decisões do futebol português e europeu, defender os seus interesses e os dos seus adeptos.
É importante que todos compreendam que o futebol português sem o Benfica vale muito pouco e, como tal, o Benfica não pode continuar a ser um mero espectador. O diálogo é fulcral, mas o respeito conquista-se com firmeza, não com silêncio. Connosco o Benfica não se vai ajoelhar com nenhum adversário ou instituição do futebol português.
3. Do que mais se orgulha do projeto desportivo apresentado pela sua candidatura?
Do equilíbrio entre competência e identidade. Conseguimos construir um projeto com profissionais de qualidade, mas com gente que conhece o Benfica por dentro, que já esteve no Benfica, que lhe conhece os cantos à casa e que, acima de tudo, sabe o que é ganhar no Benfica.
Precisamos de virar a página, mas não queremos um corte radical com o passado. O passado do Benfica foi um passado grandioso e que muito nos honra. Temos um orgulho enorme no nosso passado. É a história mais bonita do mundo. Mas o que nós queremos é acabar com o passado recente, que é completamente diferente.
E o que mais me orgulha é saber que temos um projeto que respeita o nosso legado, mas sempre de olhos postos no futuro. Por isso, os Benfiquistas podem estar descansados, sabemos o que queremos ser desportivamente e como lá chegar.
4. Se a sua candidatura não ganhar as eleições, o que pode acontecer ao Benfica?
Com toda a sinceridade, temo que o Benfica continue a perder tempo, a ficar para trás. Se nada mudar, teremos mais do mesmo. Um Benfica que ganha pouco. Um Benfica que tem 5 treinadores em 4 épocas. Um Benfica que todos os anos contrata camiões de treinadores. Um Benfica que não tem voz no futebol português. Um Benfica humilhado pelos seus rivais. Este não é o nosso Benfica. Já desperdiçámos demasiadas épocas a fazer igual e à espera de resultados diferentes. A atual direção e em especial o Presidente Rui Costa não aprende com os erros. Por isso, digo-vos com o orgulho de quem envergou a braçadeira de capitão por mais de 80 vezes e vestiu o manto sagrado mais de 400 vezes: é tempo de voltarmos a ter um Benfica à Benfica.
