"O pão de hoje e a fome de amanhã": outra metáfora de Anselmi sobre o F. C. Porto

Martín Anselmi procura ganhar pela primeira vez dois jogos seguidos no F. C. Porto
Foto: EPA
Martín Anselmi comentou este sábado a parte da entrevista de André Villas-Boas em que o presidente portista garantiu a continuidade do treinador na próxima época e disse que ambos sabem o F. C. Porto que querem construir.
Na antevisão do jogo de domingo no Estoril, uma equipa que se faz "forte em casa", o treinador do F. C. Porto foi questionado sobre a entrevista dada esta semana por André Villas-Boas ao JN/O Jogo, na qual garante que o técnico argentino será "em absoluto" o treinador dos dragões para a próxima época.
"Na primeira vez em que eu e o presidente falámos, senti logo o apoio. Sempre soube do projeto que queríamos construir juntos e sempre soube que teria todo o apoio, não só dele mas de toda a gente aqui no F. C. Porto. Falamos diariamente, semanalmente, e estipulamos o caminho que queremos percorrer. Sabemos que F. C. Porto queremos construir. Não queremos um F. C. Porto de hoje, queremos um F. C. Porto de sempre", afirmou Martín Anselmi, recorrendo a nova metáfora, depois de ter dito há duas semanas que os adeptos são como "a namorada mais difícil" e que aprender a jogar de forma diferente é como "aprender a tocar guitarra".
"Não queremos só resolver os problemas de hoje. Na Argentina, costumamos viver o hoje sem saber o amanhã. Aqui queremos resolver o hoje e o amanhã. Que não seja "pão para hoje e fome amanhã, como se diz lá. Claro que percebemos que isto leva tempo, que é um processo. Mas o facto de o presidente o manifestar publicamente torna a mensagem mais forte para todos. Estou muito feliz por estar no F. C. Porto, pela forma como as pessoas trabalham, e pela ambição que há aqui. Agora temos de preparar-nos para o que falta e para o que aí vem, e começar a fazer o que tanto queremos", referiu o técnico argentino, comentando as duas semanas de paragem competitiva motivadas pelos jogos das seleções.
"Estas semanas foram diferentes porque tivemos muitos jogadores na seleção. Também houve descanso, porque se acumulou muito tempo sem descanso, mas pudemos trabalhar com os jogadores que ficaram cá. Trabalhámos ideias de jogo mesmo não tendo jogo ao fim de semana, pudemos trabalhar com coisas mais específicas, o que fazem no modelo e não o que fazem durante o jogo. E isso sempre é positivo, por isso calhou bem. Também gostaria de competir, porque quando começas a competir e a engrenar é bom para qualquer equipa. Mas acho que a paragem nos ajudou, porque os jogadores que foram à seleção e competiram vieram na melhor forma. Treinámos muito bem esta semana, vive-se um ótimo ambiente, com alegria e vontade de trabalhar, é sempre positivo quando essas coisas acontecem e acho que foi uma grande semana", disse.
Sobre Samu, que terminou o jogo com o AVS frustrado por não ter faturado e não dispôs de minutos na seleção espanhola, Anselmi mostrou-se otimista quanto a uma melhoria na produção do avançado, que só marcou um golo de penálti no campeonato em 2025.
"Eu vejo-o feliz, basta abrir as redes sociais. Está contente e espero que continue assim até ao final da época. Tem aproveitado o dia a dia, isso é o mais importante e vai ajudá-lo a atingir os seus objetivos profissionais, porque gerir mal as emoções não o leva a lado nenhum. Acho que ele está a fazer isso muito bem, vejo-o feliz. Mais do que marcar ou não marcar, que é o que fica para a história, importa o resultado. As pessoas dizem que se um avançado marca então fez um grande jogo e, se não marca, não jogou bem. Reitero: para mim, o último jogo com o AVS, foi o melhor do Samu desde que eu sou treinador do F. C. Porto. Cada um vê o que quer ver. Obviamente, o avançado quer fazer golos, não é uma novidade, mas assim estará sempre muito perto de fazer golos", disse, sem esquecer as estreias de outros dois avançados do plantel portista, Deniz Gul e Namaso, nas seleções da Turquia e dos Camarões.
"Foram importantes porque lhes deram ainda mais experiência. Além disso, acho que vestir a camisola da seleção é o topo da carreira de qualquer jogador. Fiquei muito feliz pelo Namaso, que se estreou pelos Camarões e reencontrou com parte da família. O Samu foi convocado pela Espanha e são poucos os privilegiados que têm essa sorte. O Gül tem um treinador na Turquia que foi um avançado de elite [Vincenzo Montella], um avançado de classe mundial que lhe transmite ensinamentos específicos do posto e recebe conselhos que eu não posso dar. Quando trabalhas com os melhores aprendes sempre coisas novas", sublinhou.

