
Luis Rubiales beijou na boca a futebolista Jennifer Hermoso após a final do Mundial feminino de futebol
FRANCK FIFE / AFP
Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, pediu ação às autoridades espanholas no caso Rubiales, “de forma a que se respeitem os direitos das mulheres”.
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O beijo na boca dado por Luis Rubiales a Jennifer Hermoso na cerimónia de entrega de medalhas do último Mundial feminino de futebol foi tema nas Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.
Segunda-feira, em conferência de imprensa, Stéphane Dujarric considerou que, “pelo que foi possível ver, não há nenhum indício de que o beijo tenha sido consensual”, defendendo ainda que “o sexismo persiste no desporto”.
Antes, já Reem Alsalem, relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas, tinha defendido que Luis Rubiales “abusou do seu poder para agredir sexualmente uma desportista”.
Por seu turno, Volker Turk, alto comissário para os Direitos Humanos, espera que o caso “marque um ponto de inflexão” no mundo do desporto, onde as mulheres “continuam a ser vítimas de assédio e abuso sexual”. “Temos a responsabilidade de os denunciar, de lutar contra eles e de nos juntarmos a Jenni Hermoso e a todos aqueles que trabalham para terminar com o sexismo e os abusos no desporto”, acrescentou, nas redes sociais.
Luis Rubiales, que mantém a intensão de não se demitir na sequência deste caso, foi suspenso pela FIFA, durante 90 dias, das funções de presidente da federação espanhola de futebol. Pedro Rocha, até aqui vice-presidente, assume a liderança do organismo de forma provisória.
O caso tem tido vários episódios polémicos, como uma primeira reação atribuída a Jennifer Hermoso em que esta desvalorizava o episódio, mas que foi fabricada pela federação espanhola. "Quero clarificar que em momento algum consenti o beijo que me deu e em nenhum caso procurei levantar o presidente. Não tolero que coloquem em causa a minha palavra e muito menos que inventem palavras que não disse", esclareceu a futebolista, poucos dias depois.

