
Coliseu cheio para o anúncio de recandidatura de Pinto da Costa à presidência do F. C. Porto
Foto: Pedro Granadeiro / Global Imagens
Pinto da Costa apresentou, este domingo, a recandidatura à presidência do F. C. Porto, no Coliseu do Porto, sob o lema Todos Pelo Porto.
"Não tenho palavras para vos agradecer a receção, o carinho, amizade, solidariedade que hoje com a vossa presença me transmitiram e me bateram bem fundo no coração. Compreenderão como é difíicl para mim neste momento controlar as emoções. Poder ter a serenidade para vos transmitir o que tenho para vos dizer. Entrei nesta sala sem ter nenhum segurança a acompanhar. Não venho ler nenhum discurso, nem tenho ao fundo qualquer teleponto", declarou Pinto da Costa, sob fortes aplausos, das quase três mil pessoas presentes no Coliseu do Porto.
Pinto da Costa confirmou, depois, a recandidatura à presidência do F. C. Porto. "Orgulho-me de ter plateia cheia e não ter ninguém ressabiado. Para mim são todos iguais, estão todos no meu coração. Entrei para sócio do F. C. Porto em 31 de dezembro de 1953, tive o meu primeiro cargo como dirigente desportivo em 1962 mantendo-me até 1969 como chefe e diretor de várias secções. Fui de 1974 a 1978 diretor do departamento de futebol. Este é o meu percurso no F. C. Porto. Porque considero quando alguém concorre a qualquer lugar a primeira coisa que deve apresentar é o seu currículo, este é o meu currículo no F. C. Porto. Se pela vossa reação posso admitir e querer que o meu currículo está provado, sou candidato à presidência do F. C. Porto".
O presidente do F. C. Porto lançou ainda uma farpa a Villas-Boas. "Espero, que quem quer que venha a candidatar-se, apresente o currículo. Não basta dizer que sonhou com uma cadeira de sonho que hoje pode estar ali e amanhã acolá. Não basta abrir caminho para gente que nem é do F. C. Porto tome o clube para fazer negócios", disse.
Pinto da Costa garantiu que o F. C. Porto vai apresentar capitais próprios positivos. "Tinha condicionado a minha recandidatura a três factos: passagem aos oitavos de final da Champions, que alcançámos; aquilo que foi a batalha e arma de arremesso às minhas direções, que agora já se calaram porque sentiram que estavam a cometer um erro que eram as contas positivas e os capitais próprios positivos. Não poderei revelá-las por motivos legais. Mas se estou aqui, dentro de duas semanas iremos apresentar saldo positivo de dezenas de milhões de euros e capitais próprios positivos. Explicamos mas ninguém quis ouvir, que tinha sido uma estratégia de apresentarmos aquele saldo negativo para resistir ao ataque que foi feito para levarem o Diogo Costa e o Pepê. Então optámos por mantê-los, apresentar saldo negativo, mas sabendo que no final do ano estaria a situação invertida", reiterou.
O presidente prosseguiu a falar das contas. "Li há dias que um ex-membro da minha direção disse, candidato noutra lista, que se preocupava com a situação financeira. Ninguém mais se preocupou com essa situação do que eu. Como eu, só Fernando Gomes viveu intensamente esse problema e o tentou e conseguiu resolver. Nesses momentos de dificuldades que tivemos foi exatamente o período mais custoso para mim o tempo em que Angelino Ferreira foi responsável pelas finanças do F. C. Porto. Estivemos meses sem pagar salários aos nossos trabalhadores, isso é que me doía a alma. Era ver que os nossos dedicados colaboradores não recebiam ao final do mês. Estejam sossegados porque quem ultrapassa situações como essas e as recentes, pode estar descansado que o F. C. Porto nunca sucumbirá. Será sempre um brasão da cidade".
Pinto da Costa descartou também a entrada de investidores na SAD. "Será o meu último mandato, sem dúvida, mas vou cumpri-lo até ao fim. Não é com intenção de o deixar a meio para abrir a porta a quem quer que seja. Quem vai escolher sempre o presidente do F. C. Porto serão os sócios. Não serão as grandes construtoras, grupos económicos ou as televisões. Ou aqueles que querem ter o preço ao desbarato dos direitos televisivos do F. C. Porto. Não irão porque os sócios sabem o que é ser do F. C. Porto. Não vejo aqui ninguém que não sendo do nosso clube, tenha camarote nos nossos rivais, veja apenas uma possibilidade de negócio. Aqui, o F. C. Porto será sempre o dono da SAD. Quando se iniciou as SAD'S, o F. C. Porto tinha apenas 40% do capital. Hoje, temos 74%. Não conseguirão para querer vender o lote de ações metermos aqui alguém a negociar, seja com agentes da Arábia, Irão, ou Iraque, para fazer negócio e levar o F. C. Porto a perder essa percentagem na nossa SAD. Ninguém entrará no F. C. Porto a não ser aqueles, portistas do coração, que compram ações", disse.
O presidente portista voltou a criticar a comunicação social. "Temos que ser ambiciosos. Sabemos o quão difícil é ser e estar no F. C. Porto. Temos uma comunicação social que nos hostiliza. Ouvia um comentador desportivo que eu mantinha um discurso contra a imprensa lisboeta. E que a candidatura do meu adversáiro era para combater isso mesmo. Basta ouvir diariamente o programa da CMTV para se sentir a vontade com que eles querem ver-me daqui para fora. Sou permanentemente atacado e insultado, mas isso só me dá força. Enquanto eu sentir que as televisões lisboetas me quer ver daqui para fora eu piso bem os pés no chão e digo: Vamos em frente F. C. Porto".
Dois jornalistas foram agredidos com um isqueiro na parte final do discurso de Pinto da Costa, não tendo ficado feridos.
A terminar, Pinto da Costa pediu que o lema "Todos pelo Porto" que marca a candidatura, seja um "estado de alma". "Tenho total confiança no futuro. Era muito prático ao fim de 42 anos de presidente e dizer 'basta'. E ia viver dos louros de tudo o que conquistámos. Não fui no canto da sereia dos que me diziam que eu era o presidente dos presidentes... que merecia ser presidente honorário que por acaso até já sou. Estou aqui para levar o F. C. Porto em frente. Não sou o presidente dos presidentes, sou o presidente do F. C. Porto. Fixem bem, não como slogan, mas estado de alma. Todos pelo Porto. Se estivermos assim, o Porto será maior. O clube, a cidade e todo o país", disse.

