
Pinto da Costa
Igor Martins/Global Imagens
O líder da candidatura “Todos pelo F. C. Porto” comentou a intenção de André Villas-Boas de rescindir o contrato da construção da Academia na Maia e considerou que se trata de demagogia do rival. “Desde que me candidatei, deixei de ser o presidente dos presidentes”.
Pinto da Costa foi recebido com bombos e muito entusiasmo no Salão Nobre da Junta de Freguesia da Afurada, em Vila Nova de Gaia, onde recordou as razões pelas quais se decidiu candidatar a um 16.º mandato.
“Quando me perguntam porque é que eu, ao fim de tantos anos e êxitos, de 2566 títulos, me decidi recandidatar, eu digo sempre: candidato-me pelos sócios e dragões anónimos, que sempre me apoiaram e contribuíram para os nossos êxitos”, afirmou, antes de apontar a mira à lista liderada por André Villas-Boas.
“Quero agradecer este apoio extraordinário dos Dragões da Afurada. Era mais fácil para mim terminar os meus mandatos. Até me disseram que ia ser o presidente dos presidentes, que ia ter mordomias como um Presidente da República. Até chegaram a dizer que punham o meu nome no estádio, mas tudo isso não me convenceu, porque eu quero que o F. C. Porto seja dos sócios”, reiterou, voltando a alegar os “interesses económicos” que norteiam a outra candidatura.
“Quando vi que à outra candidatura estava ligado um senhor que não é do F. C. Porto, é do Sporting e até tem um camarote em Alvalade, percebi que estava lá por interesses financeiros e televisivos. Quando vi que o CEO da outra candidatura era um administrador da NOS, percebi que o meu sentimento estava correto. Por isso, resolvi candidatar-me”, destacou, antes de apimentar o discurso.
“Desde que me candidatei, deixei de ser o presidente dos presidentes, um homem com obra invulgar, que fez o estádio, pavilhão, museu e centro de treinos do Olival. Passei a ser o presidente que só fez asneiras, mas isto é compreensível pelos interesses à volta da outra candidatura. Não vamos seguir pelo caminho do insulto ou da insinuação, vamos seguir pela positiva, não respondendo a ataques ou insultos. Vamos ignorá-los e pensar no F. C. Porto. Esta candidatura não é para dividir, é para unir”, garantiu Pinto da Costa.
A famigerada assembleia geral
O presidente e candidato às eleições de 27 de maio recordou a assembleia geral de 13 de novembro, que ficou marcada por insultos e agressões, atribuindo parte da culpa à base de apoio de Villas-Boas.
“A famigerada assembleia-geral correu mal, mas quem não esteve lá pensa que foi pior que Gaza e é preciso não esquecer os antecedentes. Uns dias antes via-se em todos os sites ligados a Villas-Boas o pedido para irem todos e filmarem tudo. O que esperavam que acontecesse? Previam o que podia acontecer e quando há problemas na nossa casa, nem que tenham sido filmados, devemos mantê-los em casa”, defendeu.
Pinto da Costa abordou, de seguida, a construção da Academia do clube na Maia e fez questão de o fazer como presidente e não candidato a um novo ato eleitoral.
“O outro candidato disse que a nossa Academia de Maia era uma obsessão minha. Não, não é. É uma obsessão do presidente Pinto da Costa, porque há muito mais de dois anos que iniciámos este processo. Foi difícil, foi preciso arranjar parceiro e financiador e um dos arquitetos mais prestigiados do país, responsável pelo estádio mais bonito do país. Foi o presidente Pinto da Costa. E o projeto é imparável e não é porque alguém vem apresentar um terreno de 30 hectares, que metade não é construível, que nós íamos abdicar de uma academia com mais de dez campos de futebol, mini-estádio 2500 lugares, hotel para 140 crianças. Não íamos parar porque alguém aparece com um contrato-promessa peregrino”, começou por dizer, antes de criticar, claramente, o principal rival no próximo ato eleitoral.
“O presidente Pinto da Costa, determinado como é, vai levar a Academia a bom porto. Quarta-feira, às 10.30 horas, apresentaremos no Dragão o projeto feito e pago, a maquete, a forma como irá ser pago, sem influenciar contas do clube. Entretanto, aparece alguém que diz ‘vamos rasgar contratos’, mas no F. C. Porto não há lugar para Vales e Azevedos, aqui cumpre-se a palavra”, garantiu.
Conceição? Ia ficar em pé
Um dia depois de Villas-Boas ter referido que, caso seja eleito, a prioridade é sentar-se com o treinador do F. C. Porto, Sérgio Conceição, Pinto da Costa foi irónico no comentário: “Acho graça quando ouço o outro candidato dizer que se vai sentar com Sérgio Conceição. Se eu quero um treinador, que é peça fundamental, estou à espera? Só é possível porque sabe que se o convidar hoje para se sentar com ele, tem de ficar de pé. Com Sérgio Conceição, sento-me todos os dias e vamo-nos sentar durante muito mais tempo”, prometeu.
Antes da sessão de perguntas e respostas com os adeptos, o candidato da lista “Todos pelo Porto” não deixou de criticar o centralismo do país: “O inimigo comum é Lisboa, o centralismo em Portugal. Toda a gente o reconhece, de Monção a Tavira e é isso que eles querem: relegar o F. C. Porto a um clube simpático lá de cima. Queremos estar ao lado dos outros e ser respeitados. Não vamos admitir que jornais que fazem da queda do presidente do F. C. Porto o objetivo número 1”, disse, antes de terminar com uma garantia.
“Este será o meu último mandato, primeiro porque tenho consciência que posso sair tranquilamente, porque sei que daqui a quatro anos de certeza que os que queriam tomar conta do clube para fins obscuros não haverá esse perigo, porque ele não terá motivação para esperar quatro anos”, afirmou.
Pinto da Costra confirmou que o F. C. Porto esteve interessado na contratação de Kevin De Bruyne e explicou a razão pela qual o belga não rumou à Invicta: "É verdade, estivemos interessados, temos relatórios de vários observadores. Estávamos em negociações, por números razoáveis, mas com a saída do treinador esse assunto morreu e ele foi para o Chelsea, tal como o treinador. Qual treinador? Aquele que a gente sabe”, disse, referindo-se a André Villas-Boas.

