Cerca de 60 mil adeptos brasileiros e portugueses transformaram a pequena cidade de Foxborough, nos Estados Unidos, antes do jogo que opõe esta madrugada as seleções de futebol dos dois paises no Gilette Stadium, às 2 horas.
O vermelho e verde de Portugal e o amarelo da seleção canarinha iluminaram o dia cinzento na cidade da Nova Inglaterra. A meio da tarde, centenas de adeptos brasileiros já transformavam o parque de estacionamento numa zona de festa.
Algumas bagageiras de carros abriam para revelar grelhadores, outras guardavam poderosos equipamentos de som que inauguravam rodas de samba e bailes de funk.
As amigas Gabriela, Jessica e Elisa vieram juntas para apoiar a seleção "canarinha".
"É uma oportunidade rara ver a seleção tão perto de nós", disse Elisa à agência Lusa, acrescentando que "todo o mundo veio ver o jogo".
Gabriela disse que "a equipa está jogando bem com o Scolari, sem ele não funciona", mas as três amigas estavam entretidas com questões alheias ao futebol.
"Queriamos ver o Cristiano Ronaldo, que é o mais gostoso", admitiu a brasileira Jessica, embora acrescentando: "Mas não nos importamos com o Neymar".
O brasileiro Jose Zeilli, que grelhava febras e salsichas para um grupo de 10 amigos, estava preocupado com o jogo.
"Estamos jogando bem, a equipa está forte. Estamos com outro ânimo para a copa", disse o emigrante de 58 anos.
Os portugueses, que preferiram a zona comercial junto ao estádio, estavam em minoria no parque de estacionamento. Leonardo Quintal, 47 anos, era um dos poucos lusos nesta zona.
"Sei que estamos em minoria. Mas não temos medo. Somos todos irmãos. E a comida deles está a cheirar bem...", disse Leonardo Quintal, que fez quase seis horas de avião para assistir ao jogo.
"Vim ontem (segunda-feira) de São Leandro, na Califórnia, e vou embora já amanhã (quarta-feira)", contou este adepto de origem madeirense, acompanhado do irmão, Eusébio Quintal, que vive em St. Louis, no Illinois, e outros nove amigos e familiares.
"Somos da Madeira. Viemos para ver toda a seleção, mas tinhamos muita vontade de ver o Cristiano Ronaldo. Foi uma pena que ele não possa estar presente. Mesmo que não jogasse, já gostávamos de o ver", disse Eusébio
O madeirense preparava-se para visitar a estátua do jogador Eusébio, que reside nas imediações do estádio desde 2006 e foi uma oferta do emigrante Vítor Batista, o mesmo que ofereceu a estátua original do Estádio da Luz.
Perto destes madeirenses, encontrava-se um grupo de açorianos que tinha vindo das Bermudas de propósito para acompanhar o jogo.
"Viemos um grupo de 10 pessoas", disse Osvaldo Frias, 33 anos. "Pertencemos a uma claque que existe há quase 12 anos. Somos os Ultras das Bermudas. Temos bombos, tambores e estamos autorizados a fazer claque", adiantou.
Olivério Rego é o líder do grupo e, apesar de já ter nascido nas Bermudas, nunca pensou torcer por outra seleção.
"Existimos como claque desde 2002, mas nunca assistimos a um jogo. Ter estes dois gigantes do futebol a jogar perto de nós é uma oportunidade que não podiamos desperdiçar. É um momento histórico para os Ultras das Bermudas", disse.
