
Luciano Gonçalves, presidente da APAF, mostra-se muito preocupado com a escalada de agressões a árbitros
Pedro Correia/Global Imagens
Líder dos árbitros, Luciano Gonçalves, pede castigos pesados para os prevaricadores. "Não podemos olhar para isto de forma leviana", diz o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF).
Como encara o aumento significativo de casos de agressão a árbitros nas últimas semanas?
Com preocupação, sobretudo pela leveza com que são encaradas as situações de violência. Estamos a entrar numa fase importante das competições e, quando se facilita nas condições de segurança ou de organização dos jogos, a probabilidade de acontecer estas coisas é imensa. Num dos últimos casos, se tivesse havido policiamento, talvez a agressão fosse evitada e, se não o fosse, a detenção do agressor seria mais célere.
A que atribui este recrudescimento da violência em estádios e recintos desportivos?
As punições são muito brandas, tanto a nível civil como a nível desportivo, e estamos a falar de crimes públicos. Os indivíduos que os cometem têm de ser irradiados do futebol e do desporto, pois destroem em pouco tempo o trabalho de milhares de pessoas de bem, que lutam por um desporto melhor. Mais do que irradiados, os agressores têm de ser detidos, sejam eles atletas, dirigentes ou adeptos, e os tribunais têm de perceber que aplicar a pena mínima, o termo de identidade e residência, não é suficiente.
O contexto social e as consequências económicas da pandemia ou da guerra na Ucrânia ajudam a explicar este fenómeno?
Não explicam tudo, até porque já tínhamos agressões a árbitros quando não havia guerra, nem pandemia. Fatores como a falta de cultura desportiva e os maus exemplos vindos do topo também devem ser tidos em conta. Insisto que temos de deixar de olhar para isto de forma leviana e não facilitar na segurança, caso contrário, temo que os casos possam até vir a aumentar.
Estes casos não ajudam a que os jovens sejam atraídos para a arbitragem...
Claro que não. Em conjunto com a FPF e com as associações, andamos a criar programas de incentivo aos jovens árbitros e isto deita tudo por água abaixo. Para a estratégia que temos, é obviamente um passo atrás e um murro no estômago.
