
Pouco se falou no Seixal sobre a partida desta quarta-feira, com o Guimarães. Quique avisou que o mau momento não afecta um projecto de "médio prazo" e garantiu não estar na Luz para perder tempo. "Estou a trabalhar no duro".
Quase não há tempo para respirar. Seguem-se confrontos importantes, diante dos vimaranenses esta noite para a Taça da Liga, e do Sporting de Braga, no domingo, para o campeonato, após a hecatombe na Trofa. Na conferência de Imprensa, o treinador espanhol desafiou o grupo a voltar às exibições de há semanas, mas não deixou de enviar vários recados internos à SAD e à presidência. "O nosso projecto é de médio prazo. Neste momento, estamos a um ponto do líder, recordo que ficámos a 25 do F. C. Porto na época passada... Só no final da temporada se verá se alcançamos ou não os objectivos: o título ou o apuramento para a Champions. Qualquer destas duas metas são perfeitamente concretizáveis. Eu consigo aguentar a pressão até ao fim, não sei que pressão aguentam os adeptos e os dirigentes. Oxalá que em Junho se possa dizer se conseguimos, espero que nada suceda antes".
Para si, não há dúvidas sobre o caminho a seguir. "Ou continuamos a trabalhar sobre os nossos objectivos, o que estamos a fazer agora, ou segue-se a autodestruição", avisou, duro, com um leve sorriso nos lábios. Dos três grandes, as águias são, na sua opinião, as que sofrem mais oscilações. Porquê? "É um conjunto em reconstrução. Há um novo director desportivo, uma nova equipa técnica, com a consequente adaptação aos novos métodos de trabalho, e houve muitas entradas e saídas de jogadores. Tudo leva tempo".
Sem ideias nem finalização
Questionado sobre a presença (ou ausência) de um modelo táctico de jogo, admitiu que o conjunto está a andar para trás. "Sim, é verdade", abanou com a cabeça. "Com o Trofense, faltou quase tudo. Não houve transições ofensivas nem ideias, os alas estiveram parados, a equipa esteve parada na inércia, a saída com a bola foi lenta e sem finalização. É necessário ter uma nova atitude. A realidade dos treinos é bem diferente da dos jogos. Os atletas têm de responsabilizar-se, a mudança passa por eles.".
Anteontem, o presidente Filipe Vieira teceu duras críticas no balneário. "Foi uma reunião normal, que pode acontecer em qualquer clube ou empresa quando as coisas não correm da melhor forma". O treinador sabe que os adeptos estão também muito insatisfeitos. "As expectativas são altas, mas a realidade tem de ser diferente. Mas há que ter em atenção que demasiada crispação pode ser nociva. Os jogadores precisam de ânimo, espero que apoiem a equipa".
E reforçou a ideia de que é muito cedo para se afirmar que tem o melhor plantel das últimas décadas. "Bons foram os de 1994 e de 2005, que deram títulos nacionais. Este ainda precisa de provar muita coisa".
Não há reforços
Quique deu novamente a indicação de que não haverá reforços em Janeiro. "Espero que os 27 jogadores do grupo sejam capazes de dar um grande rendimento". Quase a abandonar a sala, o responsável deixou mais um recado. "Não estou em Portugal para passear. Vim para deixar a pele", revelou, num tom algo exaltado.
