
Rafa Silva ao serviço do Besiktas
Foto: Arife Karakum / AFP
Rafa Silva, extremo português, brilhou no arranque pelo Besiktas, mas passou de estrela a persona non grata em poucos meses. Alegados problemas físicos, críticas dos turcos e treinador, bem como o afastamento da equipa, precipitam regresso iminente ao Benfica, agora sob comando de José Mourinho.
Quando Rafa Silva trocou o Benfica pelo Besiktas, no verão de 2024, levou para a Turquia a fama de desequilibrador e não demorou a justificar as expectativas. Logo no jogo de estreia oficial, na Supertaça da Turquia, diante do rival Galatasaray, o extremo português brilhou com um golo de calcanhar e uma assistência na goleada por 5-0 que valeu o título ao Besiktas. Esse arranque de sonho rendeu-lhe imediatamente o primeiro troféu no novo clube e deixou antever um impacto imediato em Istambul.
Na temporada 2024/25, Rafa tornou-se peça-chave do ataque das águias negras, terminando como um dos melhores marcadores da equipa, com 18 golos no total da época. Além do gosto pela baliza, distribuíu uma dúzia de assistências, confirmando a veia criativa que já lhe era característica nas competições nacionais. A influência do português foi tal, que apenas o consagrado avançado Ciro Immobile, reforço italiano chegado no mesmo verão, o superou com mais golos (19).
Os números e exibições de Rafa Silva mostravam um jogador em pleno fulgor, mas paralelamente o Besiktas vivia um clima de instabilidade crescente. Apesar do sucesso na Supertaça, a época de 2024/25 ficou aquém das ambições do clube: falhou-se o apuramento para a Liga dos Campeões e a equipa caiu na fase de grupos da Liga Europa, refletindo alguma irregularidade competitiva . A nível interno, o Besiktas passou por mudanças no comando técnico, com três treinadores diferentes no espaço de poucos meses.
A temporada seguinte (2025/26) trouxe novos desafios e expôs mais fissuras na relação entre jogador e clube. O arranque de Rafa nessa época voltou a ser prometedor, marcando um hat-trick, mas o rendimento individual já não bastava para mascarar o "terramoto" nos bastidores. A saída do treinador Ole Gunnar Solskjaer, demitido no verão de 2025 após falhar o acesso à Liga Conferência, e a entrada do carismático Sergen Yalçin como novo técnico foram sintomáticas da busca de rumo. E foi nesse contexto que Rafa Silva passou do estatuto de estrela incontestada a figura central de uma polémica em plena ebulição.
Rafa Silva deixou de aparecer nas fichas de jogo, sendo que o último encontro que disputou foi a 2 de novembro, e a partir daí instalou-se uma novela entre jogador e clube. Informações vindas da Turquia indicavam que Rafa se queixava de problemas físicos (dores musculares e nas costas), faltando a alguns treinos, situação que não agradou nada à estrutura técnica.
O novo treinador, conhecido pela franqueza, não poupou o internacional português nas declarações públicas. "Vocês acham que ele está a treinar? Se tivesse de lhe dar uma nota de zero a dez nos treinos, seria zero", atirou Yalçın, deixando claro que via falta de empenho no atleta. O técnico chegou mesmo a admitir deixar Rafa de fora do estágio de inverno em Antalya caso a atitude não mudasse, afirmando que "se ele é o jogador mais caro da equipa mas não me quer ajudar, que posso fazer?".
Paralelamente, os adeptos do Besiktas enchiam as redes sociais de críticas a Rafa. Muitos não lhe perdoavam o alegado descomprometimento, acusando-o de estar acomodado após assinar um contrato lucrativo até 2027. A situação degradou-se a tal ponto que Rafa passou a treinar à parte e a sua continuidade tornou-se um ponto de interrogação diário.
Com o conflito a arrastar-se e o desgaste de parte a parte a aumentar, o futuro de Rafa Silva, ao que tudo indica, passará novamente por uma estadia na Luz, ao serviço de José Mourinho, de forma a acelerar o ataque do Benfica.
