A casa onde vivem os pais de Hulk, em Campina Grande, no Brasil, foi pequena para receber os amigos e os familiares que fizeram questão de estar ao lado dos pais do craque do F. C. Porto, no dia em que o jogador regressou à competição.
Quase dois meses depois, o internacional brasileiro voltou a pisar os relvados para jogar futebol, motivo suficiente para uma noite inesquecível e repleta de emoções fortíssimas. "Recebemos mais de 40 pessoas em nossa casa. Estamos todos a comemorar esta grande vitória", disse Djovan Souza, pai do avançado portista, em contacto telefónico com o JN. As comemorações, aliás, eram bem audíveis logo após o árbitro ter terminado o jogo com o Arsenal, da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
O craque falhou 12 desafios oficiais, na sequência de uma suspensão preventiva aplicada pela Comissão Disciplinar da Liga, por incidentes no túnel da Luz (o órgão liderado por Ricardo Costa ainda não divulgou o castigo definitivo), portanto, o regresso à competição teve um significado muito especial para a família Souza, que observou, pela televisão, todas as jogadas, as fintas e os remates do jogador portista. "Sentimos uma felicidade muito grande por voltar a vê-lo jogar e estamos todos emocionados. Acho que esteve muito bem. O Hulk é o guerreiro da família e, agora, vamos à igreja agradecer", contou o pai do futebolista, ainda bastante emocionado.
Treinador elogia segunda parte
No entanto, notou-se a falta de ritmo competitivo do internacional brasileiro, a ansiedade de quem queria mostrar tudo dentro do campo, o nervosismo de quem sentia que tinha os olhos do estádio em cima. Notou-se isso tudo na exibição pouco iluminada de Hulk, que evidenciou uma fome de bola do tamanho do seu talento. Talvez por isso, coube-lhe o primeiro remate do jogo, um tiro cruzado logo aos três minutos, com a bola a sair tensa e cheia de fogo, a passar junto ao poste direito da baliza à guarda do polaco Fabianski. E o público, claro, quase gritava golo. "Não fez mais do que estava à espera, sinceramente. Fez uma segunda parte melhor do que a primeira, depois de sacudir o nervosismo, a ansiedade e, fundamentalmente, as emoções que tem tido", disse o treinador Jesualdo Ferreira.
Saída em silêncio
O jogador saiu do relvado aos 81 minutos, substituído por Mariano González, quando já acusava alguns problemas físicos, resultantes de quem ainda procura o ritmo físico desejável, face a uma paragem tão prolongada. Abandonou o recinto com queixas no joelho direito e, quando saiu do balneário, optou por não prestar qualquer declaração aos jornalistas, que se apinhavam na zona mista.
Agora, após o encontro com os "gunners", Hulk volta a descer à terra. E a subir à bancada, à espera do castigo definitivo. Até quando?
