
Árbitra será a primeira mulher a apitar um jogo da Champions
AFP
A francesa, de 36 anos, vai apitar um jogo da Liga dos Campeões esta quarta-feira. Queria ser jogadora de futebol, mas está a fazer carreira na arbitragem. Fala baixo, mas tem personalidade, dizem os jogadores.
A Liga dos Campeões nasceu em 1955, mas apenas hoje é que uma mulher estará envolvida num jogo da maior competição de futebol do Mundo, no caso como árbitra. Stéphanie Frappart foi a escolhida pela UEFA para estar no Juventus-Dínamo de Kiev, esta quarta-feira, e com isso deita abaixo mais um preconceito, algo que, no entanto, nem sequer é novo para ela.
Aos 36 anos, a árbitra de Paris queria era ser jogadora de futebol, mas cedo percebeu que era para arbitrar que tinha jeito, ao ponto de se tornar numa das mais conceituadas no futebol feminino (dirigiu a final do último Mundial, por exemplo). Agora, começa a ganhar palco no futebol masculino. Para já, é uma pioneira. "Fisicamente, ela ultrapassou de longe muitos homens. Sentimos que tem um grande potencial", adiantou Jean-Claude Le Page, um dos árbitros que a formou.
Em abril do ano passado, tornou-se na primeira mulher a estar num jogo da Ligue 1, o principal campeonato francês, dirigindo o Amiens-Estrasburgo. "É o melhor árbitro da Liga 2. Ela fala baixo, mas tem um grande carisma e personalidade. Utiliza as palavras certas e explica-nos as coisas com diplomacia. Além disso, permite que possamos dar o nosso ponto de vista", afirmou, há dois anos, Pierre Bouby, médio do Orléans.
Meses depois, foi a primeira árbitra a apitar um jogo oficial de seleções a nível internacional, o Malta-Letónia da Liga das Nações. E esta época, foi a primeira mulher a participar num jogo da Liga Europa, o Leicester-Zorya (3-0), duas equipas do grupo do Braga. E o trabalho mereceu elogios. "Ao longo dos anos, Frappart tem mostrado que é uma das melhores árbitras não só no panorama europeu como no contexto mundial", explicou Roberto Rosetti, responsável pela arbitragem da UEFA.
Ainda assim, foi na Supertaça Europeia de 2019, entre o Liverpool e o Chelsea, que lhe granjeou prestígio a nível internacional como árbitro. Até Jurgen Klopp se rendeu: "Era um momento histórico e havia muita pressão, mas fez o que tinha que fazer. Não podia ter mais respeito por Stéphanie Frappart", disse o treinador alemão.
A carreira de Frappart mudou drasticamente nos últimos meses e o feito de hoje comprova isso mesmo. É significativo, poderoso e reivindicativo, mas também é a ordem natural das coisas e a lei de Darwin a funcionar. Hoje, esta francesa vai liderar uma equipa de arbitragem composta pelos franceses Hicham Zakrani, Mehdi Rahmouni (árbitros auxiliares), Karim Abed (quarto árbitro), e Benoît Millot e Willy Delajod no vídeo árbitro (VAR).
