
Tiago Moutinho, treinador do Al Hussein, orientou a Sanjoanense e a Académica na Liga 3
Facebook/Al Hussein
Descoberto na Liga 3 pelo campeão da Jordânia, o Al Hussein, Tiago Moutinho, que treinou a Sanjoanense e a Académica no terceiro escalão nacional, não tem dúvidas de que a competição criada em 2021 pela Federação Portuguesa de Futebol é "uma excelente escola para os treinadores".
De que forma a Liga 3 procura projetar os seus treinadores para, também eles, poderem dar o salto?
Serei dos treinadores com mais jogos da Liga 3 e conheço bem tanto a zona norte como a zona sul. A Liga 3 tem um equilíbrio muito grande, porque as equipas são muito niveladas na qualidade dos jogadores e, também, das equipas técnicas. Ela trouxe a oportunidade de novas equipas técnicas poderem trabalhar e mostrar a sua qualidade. Depois, a Liga 3 tem uma visibilidade muito grande, e isso deve-se ao Canal 11 e à Federação Portuguesa de Futebol, que apostou muito na transmissão dos jogos pela televisão ou pela internet. Isso permitiu aos treinadores darem a conhecer o seu trabalho e a serem valorizados por isso. Há também o facto de a própria competição procurar promover e valorizar a qualidade do jogo, tanto que há prémios atribuídos por esse motivo, e os clubes preocupam-se em melhorar as suas instalações. A obrigatoriedade de jogar em relvados também ajuda o jogo ser melhor.
Os treinadores também se juntam em determinadas alturas para confraternizarem e trocarem ideias. É mais um traço distintivo desta prova.
Creio que são dois os encontros anuais promovidos pela Federação Portuguesa de Futebol. Os treinadores vão todos, não me lembro de algum não ter ido. Aí, debatemos, discutimos e damos sugestões para melhorar a competição. Existe um grande espírito de entreajuda e amizade entre todos. Sei de casos de treinadores que, contactados por clubes, acabam por recomendar outros treinadores. Conhecemo-nos e damo-nos todos bem. Queremos ajudar-nos uns aos outros.
Enquanto treinador, o que é que a experiência na Liga 3 lhe deu de novo?
Muita experiência pelo equilíbrio da competição, que nos obriga a sermos mais exigentes e a trabalharmos mais. Grande parte dos clubes, quando iniciam o campeonato, têm como objetivo chegar à fase final e isso obriga a, desde cedo, construir uma boa equipa, ter uma boa ideia de jogo e vencer. O facto de termos de lutar em todos os jogos para ganhar e a exigência de estarmos no cimo da tabela faz com que vamos crescendo muito mais. As equipas da Liga 3 têm jogadores de muita qualidade nos seus plantéis e os próprios dirigentes procuram equipas competitivas, jovens, que no futuro possam trazer algum retorno financeiro. A Liga 3 é uma excelente escola para os treinadores. Isso tem-se visto pelos treinadores que passaram por lá e estão, neste momento, na Liga, na Liga 2 ou no estrangeiro. Têm tido muito sucesso porque tiveram uma boa escola na Liga 3.
Na época passada, orientou a Académica na Liga 3. Como se deu a possibilidade de se mudar para o Al Hussein, o atual campeão da Jordânia?
A minha história é engraçada. Fui contactado para vir para a Jordânia e perguntei-lhes como é que chegaram até mim. A pessoa do scouting, responsável pela contratação dos treinadores e dos jogadores, disse que gosta das ligas portuguesas, que acompanha muito a Liga 2 e a Liga 3 e que gostava muito da forma como a Académica jogava. Foi assim que surgiu o contacto, não aconteceu por nenhum empresário. Isso prova que a Liga 3 tem uma projeção mundial grande.
Como está a correr a experiência?
É um país, culturalmente, muito diferente, o que também se nota no futebol. Encontrei uma Liga que está a evoluir muito. Isso também tem reflexos nos resultados que a seleção da Jordânia tem conseguido, ela que tem como objetivo estar no próximo Mundial. A Liga é equilibrada, com três ou quatro equipas muito fortes e que lutam pelo título. Encontrei, também, um clube organizado, com muita gente prestável e competente, que tem uma mentalidade vencedora. As expetativas estão muito altas, para vencer novamente a Liga, a Taça e fazer uma boa fase de grupos na primeira experiência do clube na Liga dos Campeões asiática.

