
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, foi o grande impulsionador da Superliga Europeia
Foto: Thomas Coex/AFP
A UEFA, os Clubes Europeus de Futebol (EFC) e o Real Madrid comunicaram, esta quarta-feira, um acordo cujos princípios servirão para resolver os litígios jurídicos relacionados com a Superliga, projeto que, assim, fica sem efeito.
"Após meses de conversações conduzidas no melhor interesse do futebol europeu, a UEFA, os Clubes de Futebol Europeus (EFC) e o Real Madrid anunciam um acordo de princípio em defesa do futebol e dos clubes europeus, respeitando o princípio do mérito desportivo, com ênfase na sustentabilidade dos clubes a longo prazo e na melhoria da experiência dos adeptos através da utilização da tecnologia", refere a UEFA em comunicado.
Segundo o organismo, este acordo de princípios "servirá igualmente para resolver os litígios jurídicos relacionados com a Superliga Europeia, assim que tais princípios sejam executados e implementados".
Recorde-se que o Real Madrid e o promotor da Superliga, a A22 Sports Management, ameaçavam reclamar judicialmente mais de quatro mil milhões de euros em indemnizações à UEFA, organismo que tutela o futebol europeu, acusando-a de ter inviabilizado o projeto em 2021.
Em dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) determinou que a UEFA abusava da sua posição dominante no mercado das competições europeias de clubes, violando o Direito da Concorrência da União Europeia.
No seu acórdão - confirmado em outubro último pela Audiência Provincial de Madrid - o TJUE exigiu à UEFA a abertura do mercado a terceiros organizadores, como a A22.
Em 2025, a A22 solicitou formalmente à UEFA o reconhecimento da Liga Unify, a sua proposta para novas competições europeias, ajustada aos "requisitos estabelecidos pelo acórdão do TJUE", num processo negocial que decorreu durante sete meses (entre março e setembro de 2025), o que a empresa interpretou como "um esforço para alcançar uma solução global e cooperativa para os litígios em curso" com a UEFA.
Este acordo surge apenas quatro dias depois do rival Barcelona se ter desvinculado do projeto de criação da Superliga Europeia, cujo principal impulsionador sempre foi o Real Madrid e o seu presidente Florentino Pérez.
Além do Real Madrid e do Barcelona, o projeto foi igualmente assumido, em 18 de abril de 2021, pelos também espanhóis do Atlético de Madrid, pelos ingleses do Arsenal, Chelsea, Manchester City, Liverpool, Manchester United e Tottenham, e pelos italianos do AC Milan, Inter e Juventus. A competição, de elite, seria disputada em circuito semifechado, concorrente da Liga dos Campeões, organizado pela UEFA.
Em comunicado, o Real Madrid também reagiu, sublinhando que este "acordo é pelo bem do futebol europeu de clubes" e que "respeita o princípio do mérito desportivo".
