
Vítor Bruno
Foto: Miguel Pereira
Chegou ao fim o percurso de Vítor Bruno no F. C. Porto, marcado por várias oscilações e apenas pela conquista de um troféu, a Supertaça, num jogo cheio de emoções diante do Sporting. Foram 29 jogos, 18 vitórias, três empates e oito derrotas, tudo salpicado com outros números: os dragões marcaram 63 golos e sofreram 30.
Quase sete meses depois de ter sido oficializado como treinador do F. C. Porto, Vítor Bruno está de saída, vergado por três derrotas consecutivas e um latente divórcio com os adeptos que há muito era indisfarçável. As oscilações ao longo da época foram muitas, desde um arranque pujante com o Sporting, que valeu a conquista da Supertaça, num jogo de loucos, até aos desaires nos clássicos, ou até à incapacidade para dar uma boa resposta nos momentos chave, como aconteceu recentemente com o Nacional, na Madeira.
No início, os dragões até entraram bem no campeonato, com três vitórias consecutivas, mas a derrota em Alvalade, por 2-0, veio demonstrar algumas fragilidades da equipa, acentuadas com um arranque em falso na Liga Europa, prova na qual a equipa perdeu com o Bodo/Glimt (2-1), na Noruega, depois de ter estado a ganhar o jogo. Esse seria o primeiro sinal de como a equipa abanava ao sabor do vento. O jogo com o Manchester United talvez seja um bom exemplo desta tendência, ao terminar com um empate (3-3), porque o F. C. Porto esteve a perder a deu a volta ao jogo para estar a ganhar por 3-1.
A partir daí, curiosamente, Vítor Bruno viveu a melhor fase da época, ao somar seis vitórias consecutivas, entre elas frente ao Braga (2-1) e Hoffenheim (2-), embora nem sempre tenha conseguido colocar a equipa a praticar um futebol envolvente e fiável. A partir daí da-se o primeiro período sensível com a derrota em Roma, com a Lazio (2-1), onde mais uma vez o F. C. Porto deixou escapar o triunfo nos instantes finais, seguindo-se a goleada na Luz, por 4-1, um resultado que os dragões não viam na casa do Benfica há cerca de 60 anos. Logo a seguir, mais um sinal de descalabro com a eliminação da Taça de Portugal frente ao Moreirense (2-1).
Num período muito difícil, André Villas-Boas segurou o treinador mesmo que as oscilações fossem muitas. Logo a seguir, o F. C. Porto empata com o Anderlecht (2-2), na Liga Europa, e também diante do Famalicão (1-1), mas vai respirando à custa da desgraça do Sporting, que vai perdendo pontos logo após João Pereira assumir o comando técnico e também beneficia das intermitências do Benfica.
Segue-se a derrocada com a eliminação nas meias-finais da Taça da Liga (1-0), diante do Sporting, a derrota com o Nacional, na Madeira, por 2-0, num jogo em que a equipa assinou uma exibição muito cinzenta e desperdiçou a oportunidade de assumir a liderança do campeonato. Por fim, a derrota em Barcelos, frente ao Gil Vicente (3-1), que acentou a crise a agudizou a tensão junto dos adeptos. Veio também ao de cima a questão das opções com Vítor Bruno a explicar porque deixou Pepê de fora: "Não está por vontade dele, autoexcluiu-se de participar nos jogos".
Na madrugada desta segunda-feira, o F. C. Porto anunciou a saída de Vítor Bruno após 29 jogos, 18 vitórias, três empates e oito derrotas. O treinador, que tinha contrato até 2026, deu uma Supertaça aos dragões, o primeiro troféu de André Villas-Boas como presidente da SAD. O despedimento surge após muita contestação e com um barulho de fundo semelhante à substituição de Sérgio Conceição por Vítor Bruno, que era adjunto. O técnico deixa a equipa no terceiro lugar e a quatro pontos da liderança.

