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Coletes melhoram exibição dos craques do futebol

Coletes melhoram exibição dos craques do futebol

"Sutiãs" custam 60 mil euros e permitem aos clubes analisar a performance física, fisiológica e tática dos futebolistas.

Os adeptos do futebol habituaram-se a uma nova imagem em Portugal: depois de um golo, alguns futebolistas, com a euforia, tiram a camisola e fica à vista um colete que, numa primeira avaliação, parece ser tão-só um colete. No entanto, é muito mais do que isso, trata-se na verdade de um suporte para um pequeno GPS (com quatro centímetros), que é colocado atrás, entre as duas omoplatas dos futebolistas.

Muitos craques do futebol mundial já o utilizam há várias épocas, mas só agora a "moda" se massificou no nosso país. A ânsia de saber todos os pormenores, vantagens e limitações de cada jogador do plantel, levou as SAD dos três grandes e de outros clubes da Liga a investir entre 50 e 60 mil euros na aquisição dos aparelhos.

São caros, já se vê, mas podem ficar baratos ao fim de um par de épocas se todas as funcionalidades forem utilizadas com sucesso. Há cinco anos, a tecnologia era vista nos futebolistas apenas na pré-época, pois a FIFA só recentemente autorizou a sua utilização em competição.

O colete com GPS - "sutiãs" na gíria do futebol - permite quantificar o volume e a intensidade desenvolvida durante um jogo ou um treino. Os dados são enviados via online para uma base e estudados diariamente pela equipa técnica.

Do ponto de vista físico e fisiológico, permite saber o cardiofrequencímetro, quantos quilómetros correram os jogadores, os seus sprints e períodos de recuperação, além do número de impactos e mudanças de direção.

No plano tático, o que realmente seduz o treinador, é crucial: se uma determinada estratégia desenhada pelo técnico exige um esforço maior de dois ou três jogadores, e se não resulta, vão ser avaliados os seus parâmetros físicos. Providencia até mapas de posicionamento e movimentações.

A prevenção de lesões é também função primordial no GPS. Avalia sobrecargas musculares e assim acautela a possibilidade de problemas físicos. Com a ajuda deste meio, os jogadores têm cada vez mais treinos individualizados, à medida das suas necessidades.

A Catapult (Austrália) e Statsports (Itália) são as marcas mais prestigiadas e equipam as principais equipas do Velho Continente.

Tecnologia em causa na Bélgica

A utilização da tecnologia ao serviço do futebol tem tendência para ser cada vez mais abrangente. Além do VAR, que está a dar os primeiros passos, e do colete, a FIFA equaciona dar mais um passo em frente e recorrer também ao GPS para os árbitros analisarem melhor os lances de fora de jogo.

No entanto, nem toda a engenharia técnica e científica tem sido bem-vinda no futebol: em outubro, os jogadores do Genk, na Bélgica, revoltaram-se por serem obrigados a usar uma pulseira eletrónica, que monitorizava todas as atividades físicas durante as 24 horas do dia. "Até sabem quando estamos a ter sexo. É uma invasão total à nossa vida privada", afirmou na altura um dos jogadores.

José Soares, Fisiologista: "Na forma mais simples, é um conta-quilómetros e um conta-rotações"

Para que servem os coletes hoje utilizados pelos futebolistas?

O colete tem um GPS que mede as distâncias percorridas, a intensidade e o deslocamento dos jogadores nos jogos e nos treinos. Na forma mais simples, trata-se de um conta-quilómetros e de um conta-rotações. Os treinadores analisam os dados e veem, por exemplo, quanto tempo os jogadores demoraram a recuperar entre sprints e se atuaram com baixa, média ou alta intensidade. Por vezes, tem-se a sensação de que determinado futebolista atingiu determinados parâmetros, vai-se ver e afinal não foi bem assim...

Os jogadores sentem algum tipo de desconforto por utilizarem o colete?

Se sentissem, não utilizavam. Já se sabe como são os jogadores, rejeitam tudo o que atrapalha o seu rendimento. É um sutiã e não causa qualquer tipo de lesão. Para os jogadores que se interessam pela sua performance, é também uma ferramenta muito útil, mas apenas para a componente física.

A parte tática já só é útil para os treinadores...

Certo. É habitual pedirem à equipa que jogue de forma subida, com pressão alta, ou de outra maneira, e com os dados recolhidos conseguem perceber se cumpriu ou não os requisitos. Analisar os dados do GPS apenas por uma vertente - só física, técnica ou tática - pode ser errado. Há que juntá-los e fazer uma análise global.

É possível acompanhar os dados em tempo real?

Não. Há outros aparelhos que o podem fazer.

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